terça-feira, 1 de setembro de 2009

ELE QUEM MESMO????

Depois de um bom tempo dizendo que eu era a mulher da vida dele, um belo dia eu recebo um e-mail dizendo: 'olha, não dá mais'.
Tá certo que a gente tava quase se matando e que o namoro já tinha acabado mesmo, mas não se termina nenhuma história de amor (e eu ainda o amava muito) com um e-mail, não é mesmo?
Liguei pra tentar conversar e terminar tudo decentemente e ele respondeu: 'mas agora eu to comendo um lanche com amigos'.
Enfim, fiquei pra morrer algumas semanas até que decidi que precisava ser uma mulher melhor para ele. Quem sabe eu ficando mais bonita, mais equilibrada ou mais inteligente, ele não volta pra mim?
Foi assim que me matriculei simultaneamente numa academia de ginástica, num centro budista e em um curso de cinema. Nos meses que se seguiram eu me tornei dos seres mais malhados, calmos, espiritualizados e cinéfilos do planeta. E sabe o que aconteceu? Nada, absolutamente nada, ele continuou não lembrando que eu existia.
Aí achei que isso não podia ficar assim, de jeito nenhum, eu precisava ser ainda melhor pra ele, sim, ele tinha que voltar pra mim de qualquer jeito.
Pra isso, larguei de vez a propaganda, que eu não suportava mais, e resolvi me empenhar na carreira de escritora, participei de vários livros, terminei meu próprio livro, ganhei novas colunas em revistas, quintupliquei número de leitores do meu site e nada aconteceu.
Mas eu sou taurina com ascendente em Áries, lua em Gêmeos e filha única! Eu não desisto fácil assim de um amor, e então resolvi tinha que ser uma super ultra mulher para ele, só assim ele voltaria pra mim.
Foi então que passei 35 dias na Europa, exclusivamente em minha companhia, conhecendo lugares geniais, controlando meu pânico em estar sozinha e longe de casa, me tornando mais culta e vivida. Voltei de viagem e tchân, tchân, tchân, tchân: nem sinal de vida.
Comecei um documentário com um grande amigo, aprendi a fazer strip, cortei meu cabelo 145 vezes, aumentei a terapia, li mais uns 30 livros, ajudei os pobres, rezei pra Santo Antonio umas 1.000 vezes, torrei no sol, fiz milhares de cursos de roteiro, astrologia e história, aprendi a nadar, me apaixonei por praia, comprei todas as roupas mais lindas de Paris.
Como última cartada para ser a melhor mulher do planeta, eu resolvi ir morar sozinha. Aluguei um apartamento charmoso, decorei tudo brilhantemente, chamei amigos para a inauguração, servi bom vinho e comidinhas feitas, claro, por mim, que também finalmente aprendi a cozinhar. Resultado disso tudo: silêncio absoluto.
O tempo passou, eu continuei acordando e indo dormir todos os dias querendo ser mais feliz para ele, mais bonita para ele, mais mulher para ele.
Até que algo sensacional aconteceu.
Um belo dia eu acordei tão bonita, tão feliz, tão realizada, tão mulher, que eu acabei me tornando mulher DEMAIS para ele.
Ele quem mesmo???
"Não podemos esperar que outra pessoa nos preencha ou nos complete.
Sozinhas, somos as responsáveis por nossa Paz de espírito e nossa realização, seja ela pessoal ou profissional."
(Marian Keyes)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

CORRENTE DO BEM


- Cazuza e Renato Russo morreram de AIDS;
- Chico Science e Gonzaguinha morreram em terríveis acidentes de carro;
- Marcelo Yuka foi baleado e ficou sem o movimento das pernas e do braço esquerdo;
- Hebert Vianna sofreu um acidente de ultraleve, perdeu a mulher e sofreu danos no cérebro;
- Marcelo Fromer foi atropelado e morreu no hospital;
- Cássia Eller nos deixou, após um coquetel de drogas;
- Raul Seixas bebeu e esqueceu da insulina;
- Tim Maia quase não gostava....

E mais:Ao longo dos anos, o abuso das drogas e do álcool nos tirou: Elvis Presley, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Brian Jones, John Boham, Kurt Cobain, Bradley Nowell, Sid Vicious, Keith Moon...
Outras fatalidades levaram Cliff Burton, Stevie Ray Vaughan, Jonh Lennon, Bob Marley, Rhandy Rhoads, Joe Ramone, Frank Sinatra, Fred Mercury, George Harrison, Marvin Gaye,Charlie Parker,Jaco Pastorius,Nico Assumpção, Tom Jobim, Vinicius de Morais.


AGORA PARE E PENSE: QUANTO AOS PAGODEIROS, FUNKEIROS, FORROZEIROS, AXEZEIROS.
MORRERAM????

- O Beto Jamaica cheira o que o nariz não agüenta e não morre, aquela praga;
- Alexandre Pires enche o rabo de cachaça, sai a toda com o seu carro, mata um coitado no meio da rua, não morre e continua compondo aquelas merdas;
- Xandy e Carla Perez, vão piorar ainda mais o futuro do mundo, tendo outros filhos;
- Netinho, do Negritude Júnior tem voz de viado, rebola como viado, parece viado e tem filho que nem coelho;
- Kelly key me chama de cachorro;
- Joelma do Calypso com aquela dancinha horrível, aquela roupa, aquela cara, pensa que é a Madonna do Pará;
- Latino pensa que é compositor;
- E o tal do Rodriguinho, o que ele quer com aquela viseira na cabeça?
- E o Cumpadi Washington, tem a maior cara de pinguço de boteco da esquina, um péssimo gosto para roupa, mas comeu a Sheila Carvalho;
- E o pagodeiro Bello, metido com traficante, encomendando míssil anti-aéreo, feio pra c... e só come gostosa.

AONDE O MUNDO VAI PARAR???

Não quebre essa corrente! Se vc passar essa mensagem para:
*1 pessoa: MORRE o Xandy;
*2 pessoas: MORRE Xandy e Netinho;
*3 pessoas: MORRE o Bonde do Tigrão, o Cumpadi Washington, Xandy, Alexandre Pires e o Vavá;
*10 pessoas: Morre É o Tchan, Alexandre Pires, Vavá, Frank Aguiar, qualquer nome 'dos teclados´, a Kelly Key e o Xandy;
*25 pessoas: Haverá um show de pagode/funk/ axé no Afeganistão, em homenagem para o Bin Laden, e ele, para variar, decidirá jogar o avião dos 'artistas´ em cima da casa do Calypso.
*50 pessoas: a Sandy se transformará em uma porra-loca, sairá na Playboy, se tornará stripper de uma boate em Copacabana e cobrará 10 mangos mais uma coxinha com Sukita pelo programa, e seu irmão, o Júnior, mudará de sexo, e passará a se chamar Samantha, e o melhor de tudo: ficará mudo.


CASO VOCÊ NÃO PASSE ESSA MENSAGEM PARA FRENTE, TODOS OS RÁDIOS À SUA VOLTA TOCARÃO ETERNAMENTE ´EGÜINHA POCOTÓ´,'CHUPA QUE É DE UVA´,FESTA NO APÊ, ´MAIONESE´, `CREU´, `DANÇA DO QUADRADO´, ... tudo ao mesmo tempo.

Isso é assunto sério!!! Não quebre esta corrente!!!

Ajuda aí ÔH!


**Essa me deu tanto medo que virou um post!!!**

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Acaso

é muito difícil escrever
sobre você

mas mais difícil ainda
é ficar sem escrever
sobre você

porque essa é uma
maneira de retornar
de reafirmar sua
existência

de me sentir à roda
dos seus passos

quando penso em você
qualquer tentativa
parece banal

tudo já foi feito
tudo já foi usado

nenhuma imagem vale
nenhuma técnica tem
serventia

você está fora
da literatura
você não cabe
numa metáfora

você é um baita
problema pra mim

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O fim de uma era

Mais uma revista chega ao fim: a SET (aí do lado a capa do que seria a última edição da revista, de abril mas que, infelizmente, não chegará às bancas). Comecei a colecionar a SET em setembro de 1994 em uma edição que trazia o Arnald Schwarzenegger na capa, na época, lançando o sensacional True Lies. Todos os meses, eu experimentava uma ansiedade terrível à medida que a data de chegada da revista às bancas se aproximava, já que eu queria desesperadamente saber quais filmes estavam para chegar aos cinemas ou se encontravam em fase de produção - e numa época pré-Internet a revista era realmente uma referência absoluta.

Com a Internet, é claro que a SET deixou de ser fonte principal sobre novos filmes, mas ainda assim trazia boas informações em textos interessantes que ainda contavam, claro, com o charme do papel. E por isso continuei a colecioná-la com carinho.

Dito isso, não estou realmente surpreso com o fim da revista - e isto não tem absolutamente nada a ver com sua qualidade (embora eu acredite que ela tenha gradualmente se voltado para um público mais jovem, dimunuído, a cada ano, o número de páginas, e privilegiando os filmes pipoca. Ou fui eu quem envelheceu?): o fato é que a Velha Mídia (a impressa) é um animal em extinção. Em mais 5 anos (estou sendo otimista), restarão apenas os grandes jornais como Folha e Estadão e, entre as revistas, a Veja. Em 10 anos (mais uma vez otimista), todos terão deixado de existir em suas versões papel-e-tinta e transferido suas atividades completamente para o meio digital. É uma tendência inevitável tanto do ponto de vista tecnológico quanto econômico e - por que não? - ecológico.

Ainda assim, confesso que a "morte" da SET me deixou particularmente entristecido. E lamento profundamente pelos colegas que agora estão sem emprego.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Morre lentamente

Quem morre?

Morre lentamentequem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos,
quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova corou
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o preto no brancoe os pingos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorteou da chuva incessante.

Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconheceou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maiorque o simples facto de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemosum estágio esplêndido de felicidade.

terça-feira, 24 de março de 2009

Marmelada de banana, bananada de goiaba ...

Inspirada pela criação do designer Marc Valega, os Beatle Juice, caixinhas de suco com nomes dos integrantes dos Beatles, a empresa de design Bistrô resolveu criar uma versão brasileira da ideia, usando como inspiração os Doces Bárbaros.

O resultado foi Os Sucos Bárbaros, uma linha que apresenta sabores inspirados no quarteto de MPB dos anos 70: Gilberto Gil vira MaracuGil; Gal Costa, GalTaná; Caetano Veloso se transforma em AbaCaetano, e Maria Betânia ficou como BeTâmara.

Apesar de ser tudo uma grande brincadeira, a agência garante que todos os sucos são receitas especiais da Dona Canô. Se você gostou das caixinhas, pode entrar no site da Bistrô e imprimir cada uma delas e montar você mesmo. O diretor de criação Gabriel Besnos e a coordenadora de projetos Fernanda Aldabe são responsáveis pela criação desses sucos fictícios.

Nada melhor que um Beatle Juice para refrescar o calor desses dias. Você pode escolher entre os sabores: John Lemon (limão), George Pearrison (Pêra), Mango Starr (manga) e Apple McCartney (apple deve ser lido como “é-poul” para ter graça). Infelizmente, esses sucos não existem, imagine o quanto custaria para vender sucos com a marca dos Beatles? Mas, com certeza, venderia muito!

domingo, 15 de março de 2009

Quanta Contradição...

A igreja odeia o pecado, mas ama o pecador...

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão.
Peço a Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.

III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.

IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.

X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

Preciso dizer mais alguma coisa????

sexta-feira, 13 de março de 2009

segunda-feira, 2 de março de 2009

Nan Goldin

Passando sempre aqui, sentí a falta de algumas imagens.
Então compartilho aqui algumas fotos de uma fotógrafa
cujo trabalho admiro demais.

E de vez em quando visitem lá o meu blog, irmão
desse aqui.


Beijão Cha.










domingo, 1 de março de 2009

Além do que se lê


Demorei dois meses pra ler. Muito tempo, se considerado o muito tempo livre que tenho ultimamente. Mas, sabe quando a leitura parece que empaca? Estava achando a trama um tanto quanto enrolada, detalhista, infantil até, sobre uma história que muitos contam, mas tantos outros – assim como eu – teimam em acreditar.
Mas prometi que esse não seria mais um livro lido até a metade. Brincando com o nome da história - e com a própria história-, acho que Deus me dizia: "acaba, Ana". Persisti. A história foi chegando ao final e, quando chegou, me surpreendi. Pra mim, foi como novela que mata as charadas no último capítulo, e faz a gente acreditar no mocinho – por mais cansativa que seja a “vida” que ele insistiu em nos apresentar durante todos os capítulos.
Leiam. É bonito. Para os mais céticos, talvez um pouco forçado. Mas, indiscutivelmente, deixa no ar a dúvida se existe algo do lado de lá. Eu acho que sim.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PASSEIO SOCRÁTICO


Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças.
"Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse.
O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.
É próprio do humano - e nisso também nos diferenciamos dos animais - manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico.
A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais.
Trata-se de um ritual que possui rúbricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.
Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos Econômicos e Filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós".
O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.
Para o povo maori da Nova Zelândia, cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais da África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígine cultua uma árvore ou uma pedra, um totem ou uma ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um vinho guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa ao seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista; a gata borralheira transforma-se em Cinderela...
Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela, mas não é ela: são os bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira. Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo.
" Nada poderia ser maior que a sedução" -diz Jean Baudrillard- "nem mesmo a ordem que a destrói ".
E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja..
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito de algo:
"Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo.
Olham-me intrigados. Então explico:
Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: " Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz ".
Infelizmente este texto chegou até mim, sem ser citada a fonte ou o nome do autor, porém me deu um enorme tapa na cara e creio, que dará na de vocês também., queridos amigos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

O ano do Sol

Só isso bastou pra que as mandingas de fim de ano estivessem coloridas de amarelo e ouro, muito ouro.
Ler as previsões astrológicas na internet já é praxe na vida daquela pessoa.
O problema é saber como fazer a consulta, se pelo signo solar ou pelo ascendente.
Na dúvida, e levando em consideração que 2009 é o ano do Sol, ela prefere deixar-se guiar pelas vibrações solares. Optou por não usar protetor, nem o de número 15 – o mínimo que a sua pele carece.
É a forma que encontrou para que os raios ultravioletas penetrem em todo lugar que seja possível, trazendo, quem sabe, queimaduras dos mais altos graus.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

no balanço do navio...

“Freedom on board 2009”, nada menos que perfeito. Foram três dias de gente bacana, bonita, balada, teatro, música ao vivo, comida ruim, balanço, marola, bronze, cenários paradisíacos, mais Floripa... E o saldo foi mais do que positivo: conheci pessoas maravilhosas que, certamente, já fazem parte do meu rol de amizades, redescobri uma grande amizade, encontrei uma pessoa que eu jurava para mim mesmo que um dia eu catava... e catei..risos. E a minha cor, por favor... E em 2010 tem mais.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Pelo programa sono zero: ninguém deveria ser obrigado a acordar cedo.

Uma das piores coisas da vida é acordar. Correr a São Silvestre deve requerer menos esforço do que sair da cama de manhã cedo. Falo sério, eu nunca corri a São Silvestre, mas só pelo fato dela acontecer a tarde, não deve ser tão ruim (hehehehehe). Não me entendam mal. Não sou daquelas pessoas que não gostam de viver, para quem despertar é um sacrifício, pois a realidade é sufocante e blá blá blá. Acho que estar viva é bem divertido e dormir é uma das inúmeras coisas prazerosas e divertidas que se pode fazer na vida, assim como comer chocolate, doce de leite, pipoca, quebra-queixo, fazer sexo, ver filmes, ler e ficar numa rede de bobeira.
Não tem nada melhor do que acordar no meio da noite, virar para o lado e dormir novamente. Esses segundos sonolentos em que nos damos conta de quem somos, onde estamos e, principalmente, que o dia ainda está longe de raiar e podemos voltar aquecidos pelas cobertas, ao mundo dos sonhos, é maravilhoso.
Dormir é quentinho, é macio, é cheiroso, é fácil, é de graça, faz bem para a pele, o coração e a vista. O único inconveniente de dormir é ter que acordar depois. Acordar antes do sono acabar, então, é um sacrilégio torturoso. Sou absolutamente contra esta tortura. Quando penso num mundo justo, imagino um lugar sem despertadores.
Se hoje eu não sei quase nada de química ou biologia, não é porque tais assuntos não me interessavam no colégio, eles me interessavam sim, mas não as 7:15 da manhã. A esse horário nem Brad Pitt, Tom Cruise e Rodrigo Santoro, juntos, massageando meus pés me interessam, quanto mais protozoários e alcalinos terrorosos...
Sou tão radical na defesa dos benefícios do bom sono que acho vou sugerir ao governo o programa Sono Zero. Eliminar a fome da face da Terra é uma tarefa complicada, mas o sono, ao menos, deveria ser garantido, a todos!
Todo cidadão, empregado ou não, eleitores, votantes, em conformidade com a Justiça Eleitoral ou não (nossa mãe, eu fiquei aqui rachando os últimos neurônios que me sobravam - apenas dois - para tentar construir esta frase, tive até que pedir ajuda para a universitária e como não cheguei onde eu queria deixei todas as opções propostas...hehehehehe...) tem o direito de dormir, oito horas por noite, no mínimo. Aqueles que não conseguem, pois moram longe e trabalham até tarde, deveriam receber cupons com direito a algumas horas de sono. Os cupons seriam entregues aos chefes e permitiriam que o empregado chegasse mais tarde. As escolas, por sua vez, deveriam ter horários alternativos para quem não acha divertido dar de cara com Pitágoras, Darwin e Camões logo após o galo cantar.
E por último, faço um apelo: Brad, Tom e Rodrigo, por favor, não insistam! Seus apaixonados telefonemas, as 7:00 da manhã, estão atrapalhando não só o meu sono, mas também o meu relacionamento amoroso, duas coisas que, espero que entendam, eu prezo bastante.

O sonho é o domingo do pensamento. (Henri Frederic Amiel, escritor suíço -1821-1881)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Preciso demais desabafar

Quem me conhece - mas só quem me conhece de verdade - sabe que eu não tolero gente que se acha. Mas não o tipo de gente que só se acha e ponto – o que eu não tolero é gente que se acha, que não é porra nenhuma (ainda), mas, mesmo assim, sopra pra todos os ventos o que ela acha que é, sem pensar no papel ridículo que acaba fazendo por aí.
Não é questão de julgar os outros. Afinal de contas, se eu aponto um dedo sei que outros três voltam-se a minha direção. O lance é que não suporto gente que se acha! E quando vejo esse tipo de gente agindo, preciso abrir a minha boca de alguma forma.
Eu aprendi uma vez na minha vida a Filosofia do Sucesso. Foi o suficiente pra que não esquecesse nunca mais de todo o texto de Napoleon Hill, e encaixar aqui um trecho que cai como uma luva pra toda a minha revolta: “a luta pela vida nem sempre é vantajosa aos fortes nem aos espertos; mais cedo ou mais tarde cativa a vitória aquele que crê, plenamente, eu conseguirei!”.
Pronto, falei.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Damien Rice canta e encanta em SP

O cenário parecia pouco promissor. Minutos antes do horário marcado para o início do show de Damien Rice, às 22h, o público ainda era obrigado a saltar as poças d'água que se acumulavam em frente ao Citibank Hall graças à forte chuva que caía desde as 18h desta sexta (30) em São Paulo. Também não ajudava o fato de saber que o cantor e compositor irlandês subiria ao palco sozinho, sem a banda que o acompanha pelo mundo e, pior, sem a vocalista Lisa Hannigan, responsável pelos duetos sublimes nos dois álbuns de estúdio de Rice, "O", de 2002, e "9", de 2006. Como se tudo isso não bastasse, ainda havia boatos de que Seu Jorge e/ou Ana Carolina dividiriam os microfones com ele na apresentação, eternizando de vez a irritante versão de "The blower's daughter" que, em português, virou "É isso aí", tocada à exaustão nas TVs e FMs.

Mas a intimidade com a chuva ("Na Irlanda chove muito... bem, nem tanto assim!", brincou ao começo do show), a simpatia e, principalmente, a presença de palco segura e competente fizeram com que Rice tirasse os contratempos de letra nesta que foi sua primeira apresentação no país. E pouco divulgada, aliás, considerando a badalação em torno dos shows de James Blunt - frequente e injustamente comparado a Rice -, Little Joy e Alanis Morissette, todos nesta mesma semana.

Vestindo camisa social e jeans surrado, de pé com seu violão e poucos objetos de cena que não algumas velas toscas e um par de garrafas de vinho tinto, o músico promoveu duas horas de espetáculo, que incluiu os principais sucessos dos dois discos já citados, além de lados-B ("The professor" e "Woman like a man") e dois covers ("Hallelujah", de Leonard Cohen, e "Desafinado", de Tom Jobim). Surpreende que a ausência de Hannigan, que deixou de cantar ao vivo em março de 2007 numa separação até hoje mal-explicada, passaria praticamente despercebida não fosse pelo próprio Rice fazer questão de lembrá-la ao longo do show, seja modulando sua voz para fazê-la soar feminina, seja tomando o caminho oposto, adotando um tom grave, quase fanfarrão, no momento em que deveriam entrar os vocais angelicais característicos de sua antiga companheira de banda.

É que, diferentemente dos representantes do folk mais intelectualizado e sisudo que passaram por aqui recentemente, como Will Oldhan e Bill Calahan, Rice adota uma postura de músico de rua. Como um desses cantores de estação de metrô, ele se desdobra para atrair a atenção do público, conversa entre uma canção e outra, lança mão de piadas e anedotas sobre suas desilusões amorosas e fala muitos, muitos palavrões. Em uma mesma música, é capaz de ir do clima mais introspectivo à epifania roqueira, como na catártica "I remember", em que termina agachado no palco, cantando sobre os captadores do violão. Fácil entender como essa mistura de poeta sensível com menino-problema arranca suspiros da ala feminina dos fãs, que soltava gritinhos do começo ao final do show, mas não é só. O carisma do cantor, que parece carregar no sangue irlandês a tradição oral da trova, mobiliza a todos. Lá pelo final da apresentação, aos primeiros acordes do hit "Volcano", Rice se divertiu com a insistência do público em cantar junto e provocou: "então venham aqui cantar comigo". Em questão de 30 segundos, para desespero da segurança da casa de shows, o palco foi literalmente invadido por dezenas de pessoas. Nitidamente surpreso, mas sem perder o controle da situação, o músico dividiu a turma em grupos (incluindo o restante da plateia que permaneceu sentada) e organizou uma espécie de coro em três vozes.

Com o público ganho e devidamente reacomodado em seus assentos, Rice encerrou a primeira parte do show com todos os microfones e caixas de som da casa desligados tocando uma versão 100% acústica de "Cannonball", outro hit do álbum "O".De volta para o bis, desatou a falar sobre a recepção calorosa que teve dos "amigos e talentosos músicos brasileiros" e chamou ao palco... Max de Castro (ufa!) para acompanhá-lo no cover de "Desafinado", cantado em um português de gringo, mas sem fazer feio. Para alívio final, "The blower's daughter" veio em seguida, imaculada, exatamente do jeito que ganhou fama na trilha sonora romântica do filme "Closer", e não em sua famigerada versão abrasileirada.
Mas, como se não conseguisse mais ficar só, chamou novamente um casal ao palco para a última música do repertório. Já com o violão de escanteio, abriu as duas garrafas de vinho, compartilhou as taças com os dois fãs, apertou o play em seu iPod e brindou o público com uma interpretação etílica de "Cheers darlin'" (saúde, querida). Músico, ator, comediante, conselheiro amoroso, companheiro de copo, fechou a noite afastando quaisquer dúvidas que ainda poderiam pairar sobre si: Damien Rice está longe de ser só "isso aí".
Buá: e eu perdi!!!! Fonte G1

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Devaneio...


“Porque sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...”

Fernando Pessoa

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

True Blood: tô viciado...


Um produto desenvolvido pelos japoneses desencadeou uma revolução nos costumes: graças ao TruBlood, um sangue sintético que imita quase à perfeição o original humano, os vampiros que assim o desejam podem viver como seres sociais, sem mais se alimentar na jugular de inocentes. Milhares deles, então, saíram do armário – ou do caixão. Junto com eles, emergiu uma subcultura que agora quer ter direito à propriedade, ao voto, ao casamento.

E, como seria de esperar, uma onda de resistência se formou também. Grupos religiosos invocam o fogo do inferno contra a abominação de seres que não são mortos nem vivos; e a gente do interior ouve com desconfiança os rumores sobre pessoas depravadas que se entregam ao sexo perigoso com vampiros (as medidas são imprescindíveis durante a transa), ou sobre as redes para o tráfico de “V” – o sangue dos vampiros, que, em seres humanos, tem o efeito de uma droga ultrapotente. Gente provinciana como, por exemplo, a de Bon Temps, na Louisiana.

A cidade entre em polvorosa com a chegada de seu primeiro vampiro. E a garçonete caipira, vivida pela atriz Anna Paquin, apaixona-se por ele e o defende de dois charlatões que querem roubar seu sangue para comercilzar. Esse é o ponto de partida de uma das séries mais intrigantes a aportar nas telinhas, True Blood, que a HBO lançou no domingo passado.

Alguém já viu essa história antes? Em oposição à imagem de mobilidade social ilimitada da sociedade americana, a série argumenta que as regras para aceitação são restritas: ter a cor, a orientação sexual, a origem, a profissão ou a crença “errada” joga o indivíduo à margem. Donde todos estão de certa forma à margem, e lutando para se incluir em um círculo ideal que nunca se abrirá de fato. A garçonete, que tem o dom incômodo da telepatia, sempre foi considerada diferente – mas, ao se envolver com o vampiro, percebe que a sua exclusão é muito mais extensa do que imaginava. Os pensamentos que ela ouve (e que às vezes são manifestados em alto e bom som) sobre si própria e sobre os vampiros são de um preconceito mesquinho e chocante. São todas aquelas velhas frases que já foram ditas, e não raro continuam a sê-lo, sobre os negros, judeus, gays e todas as minorias.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Amor x ódio

A gente só para pra pensar sobre certas coisas quando realmente é necessário ou quando nem necessário é, mas a situação nos força a isso.
Outro dia, coloquei no orkut um vídeo de Roberta Sá, em que (como sempre), belissimamente, ela canta "Samba de Amor e Ódio" - acho que a minha preferida do seu último disco - e, com garra evidente em seu olhar, típica de quem sabe o que está falando, ela solta a frase cabal para essa minha divagação: "nem há amor sem que uma hora o ódio venha".
Se o amor está para o ódio, assim como o riso para o choro, ying para yang e o feijão para o arroz, o que está para a decepção?
Arrisco dizer que a amizade. Porque é nos amigos que depositamos as nossas maiores esperanças, os segredos, a confiança e tantos outros sentimentos bons que não tendem ao carnal. Santa Rita de Sampa prega isso muito bem quando diz que "amor sem sexo é amizade; sexo sem amor é vontade". Aí vem Roberta de novo, só pra não deixar dúvidas: "bendito ódio, ódio que mantém a intensidade do amor, seu vigor". (Para! Que isso já tá parecendo uma tese e só falta eu aplicar as normas da ABNT).
Tanta coisa que a gente ouve por aí, frases que são lidas, ouvidas, mas que logo saem pelo outro lado.
Tanta gente que a gente conhece por aí, sentimentos que são vividos, mas que logo mostram a que vieram.
É só uma questão de tempo para sabermos se algo de bom sobrevive a situações - que a própria razão desconhece.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sobre silêncios e vazios...

Todos os anos, em janeiro, o paulistano saboreia a sua cidade. É quando ela, sesquicentenária importadora de gente, se torna exportadora. Descansa de dois dos seus problemas: excesso de moradores e de veículos.

Em certos bairros, dá para ouvir o silêncio. Avenidas roncantes adormecem tranquilas. O direito civilizado de ir e vir, sem irritação e no tempo certo, é recuperado pelos moradores. No começo, com cautelosa alegria, mas, à proporção que o mês avança, com progressiva confiança, aquela que se tem quando se pode contar com coisa certa. Chegando ao meio do mês já se transita com a certeza de que não há uma armadilha ali adiante, não é uma pegadinha.

O barulho diminui. Ah, como os ouvidos agradecem, o sono agradece. A cadeia do bem se propaga em ondas. Menos motores levam a menos buzinas, menos freadas, menos paralisações com seu ronco surdo; menor atividade leva à redução de motos, entregadores, caminhões, motopizzas; menos baladas, transferidas para balneários e estâncias, resultam em menos gritos, brigas, música tecno marretando tímpanos, arrancadas, vozerio de manobristas na madrugada; menor número de alcoolizados resulta em menos acidentes, sirenes, rachas, choro.

Surgem carrinhos de bebê nas calçadas, antes refugiados nos shoppings e parques. São mães saboreando um prazer antigo, que tiveram quando eram elas os bebês. Desfilam muros, jardins, portões, árvores, flores, cães, vizinhos e esquinas diante dos olhos dos bebês, que aprendem como é essa outra arrumação do urbano.

Atravessar uma rua fica mais tranquilo. Alguns motoristas praticam adormecidas gentilezas. Certos de que não vão ficar presos no engarrafamento do próximo farol pelo excesso de veículos, cedem a passagem – até pedestres eles deixam passar.

Os cinemas guardam bons lugares para cada um, sem a ansiedade das longas filas e a correria para as cadeiras. Pode ser que a pipoca venha um pouco fria, por ter ficado mais tempo à espera do freguês, mas será um efeito colateral indolor.

Restaurantes, mesmo aquele "pessoa jurídica" ge-ralmente tumultuado na hora do almoço, têm sempre uma mesa à espera. O serviço flui melhor e, na saída, o carro trazido pelo manobrista chega rapidinho após o almoço de domingo, a feijoada de sábado ou o jantar de sexta-feira.
Os clubes recuperam a vida. Grandes piscinas azuladas agitam-se ao sol na piracema de crianças reluzentes e no tititi de mães trocando fofocas nas espreguiçadeiras. Nas outras áreas, massagem, spa, sau-na, academia, esportes... vida amena de balneário sem o desconforto das es--tradas lotadas.

Entidades de serviço social multiplicam atividades lúdicas e culturais. Desde as moderníssimas, como computação gráfica para crianças e adolescentes, até as nostálgicas, como bailes vespertinos com orquestra para os de cabelos brancos ou tingidos.

As ruas de comércio, o Mercadão, os supermercados, os estacionamentos, os aeroportos, o metrô, todo o serviço urbano se humaniza. Como se tivesse sido dimensionado para os que ficaram, na grande fuga de janeiro.

Não vai durar muito. Até lá, que todos saibam usufruir o privilégio. Os bens temporários têm de ser aproveitados no tempo certo, como uma safra de jabuticabas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

U2 libera lista de faixas e capa de novo álbum

‘No line on the horizon’ será lançado em março nos EUA e Inglaterra. Disco, com 11 faixas, terá cinco formatos diferentes, incluindo vinil duplo.

A banda irlandesa U2 liberou, em seu site oficial, a lista de faixas e a arte de capa de “No line on the horizon”, o 12º álbum de inéditas do grupo. O U2 está trabalhando no álbum desde julho de 2006, e o disco deve ser lançado nos EUA e Inglaterra na primeira semana de março de 2009.

Segundo o site da banda, o disco estará disponível em cinco formatos diferentes: formato tradicional, em CD com um encarte de 25 páginas; em formato digipak com encarte de 32 páginas e o direito de baixar pela internet um filme exclusivo dirigido por Anton Corbjin; formato revista, acompanhado de uma revista de 64 páginas e do direito ao download do mesmo filme; formato caixa, com o disco do digipak, um DVD com o filme de Corbjin, um livreto de capa dura com 64 páginas e um pôster; e no formato LP duplo, em vinil, com um encarte de 16 páginas.

Ainda segundo o site, a imagem da capa do disco representa o encontro do céu com o mar, e foi criada pelo artista plástico japonês Hiroshi Sugimoto. “Get your boots on” é primeiro single do disco.

Veja abaixo a lista de faixas:
1. “No line on the horizon”
2. “Magnificent”
3. “Moment of surrender”
4. “Unknown caller”
5. “I’ll go crazy if I don’t go crazy tonight”
6. “Get on your boots”
7. “Stand up comedy”
8. “Fez – Being born”
9. “White as snow”
10. “Breathe”
11. “Cedars of Lebanon”

Confira, também, a letra do single.

Get on your boots
Future needs a big kiss
Winds blow with a twist
Never seen a move like this
Can you see it too
Night is falling everywhere
Rockets hit the funfair
Satan loves a bomb scare
But it won't scare you

Hey...Sexy Boots
Get on your Boots
Yeah...

Free me from the dark dream
Candy bars, ice cream
All the kids are screaming but the ghosts aren’t real
Here’s what you gotta be
Love & community
Laughter is eternity if the joy is real

You don’t know how beautiful
You don’t know how beautiful
You are...
You don’t know
You get it do you
You don’t know
How beautiful you are...

If someone’s into blowing up
We’re into growing up
Women are the future
All the big revelations
I’ve gotta submarine
You’ve got gasoline
I don’t wanna talk about wars between nations
Not right now

Sexy Boots
Get on your Boots
Yeah...
Foxy boots

You don’t know how beautiful
You don’t know how beautiful
You are...

Sexy Boots
I don’t wanna talk about wars

Let me in the sound
Let me in the sound
Let me in the sound
My God I’m going down
I don’t wanna drown now
Let me in the sound

Let me in the sound
Let me in the sound
Let me in the sound

Get on your Boots
Get on your Boots
Yeah...

Tanta coisa, qualquer coisa

Desde ontem que eu tô com vontade de escrever alguma coisa aqui no blog, mas o que vinha na minha cabeça eram idéias que, no final das contas, vagavam pelo marasmo. Quer dizer, o teor das idéias era totalmente chato, low profile, sem sentido. Talvez, só para mim. Porque lembrei do texto que eu tinha publicado no post anterior. Blog serve pra isso mesmo, é um lugar que a gente digita qualquer coisa, mesmo que a gente já esteja pra lá de Marrakesh.
Se blogar ajuda mesmo a organizar as idéias e a exercitar a escrita, vamo que vamo! Tô precisando muito terminar um artigo científico, e, cá entre nós, escrever algo realmente bom.

Daí, hoje, fuçando nos meus CDs, parei na letra "L". Tem sempre uma letra que me inspira. Foi no "In cité", do Lenine, que encontrei o que procurava: uma letra meio óbvia, diria alguns. Mas, suficientemente tocante neste momento, em que cancelas estão fechadas e o trem não para nunca de passar (talvez, só para mim).

Senhoras e senhores. Com vocês, a poesia de "Todos os Caminhos" (Lenine/Dudu Falcão).

Eu já me perguntei se o tempo poderá realizar meus sonhos e desejos. Será que eu já não sei por onde procurar ou todos os caminhos dão no mesmo? E o certo é que eu não sei o que virá, só posso te pedir... Nunca se leve tão a sério, nunca se deixe levar. A vida é parte do mistério, e é tanta coisa pra se desvendar.
Por tudo que eu andei e o tanto que faltar, não dá pra se prever nem o futuro. O escuro que se vê, quem sabe pode iluminar, os corações perdidos sobre o muro. O certo é que eu não sei o que virá, só posso te pedir...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Dez motivos para blogar

1. Você pode (quase) tudo. Quando faltar inspiração, escreva uma lista de dez motivos para fazer alguma coisa. No final, acabará se divertindo.
2. É bom ter audiência, mesmo sem fazer idéia de quem são os leitores. Você apenas precisa aprender a lidar com essa relação meio íntima com leitores tão anônimos.
3. Com o tempo você percebe que sobrevive sem comentários. Segundo as estatísticas, apenas 1% dos leitores deixa um. Então pare de implorar pelos comentários dos amigos.
4. Blogar ajuda a organizar as idéias, exercitar a escrita e você ainda corre o risco de escrever algo realmente bom.
5. Amigos distantes, ou distanciados, se sentem próximos ao ler o seu blog. Você não precisa de orkut para se relacionar, e só se expõe se, e o quanto, quiser.
6. Você está deixando um registro histórico, da sua vida ou da sua época, embora isso pareça uma grande pretensão agora.
7. O fato de blog não dar dinheiro não é motivo para parar. Pense bem: você realmente não começou porque havia essa possibilidade.
8. Provavelmente você terá mais leitores do que se publicar um livro.
9. Você pode terminar uma lista de dez com nove itens e nenhum editor vai chamar a sua atenção.

Publicado no Digestivo Cultural

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Por um breve momento de perfeição

"A vida seria infinitamente mais feliz se nós pudéssemos nascer com a idade de 80 anos e gradualmente nos aproximássemos dos 18".
Mark Twain


Nada melhor que o primeiro post de 2009 seja sobre o melhor filme de 2008. Só tenho um conselho: vejam! Revejam!

Por um breve momento, quando eles têm 43 anos cada um, as trajetórias dos personagens de Brad Pitt e Cate Blanchett se encaixam e eles se olham num espelho em O Curioso Caso de Benjamin Button. O que veem - e o espectador compartilha - é este instante em que maturidade e beleza se completam e contemplam. Mas é só isso mesmo - um instante na eternidade. No restante do tempo, ou nos 166 minutos que compõem a narrativa do novo filme de David Fincher -, Pitt e Cate vivem vidas paralelas e até inversas. Ela começa o filme como uma velha, num hospital de New Orleans sitiado pelo vento. Daqui a pouco, anunciam as autoridades, vai começar o furacão Katrina, que destruiu a cidade em 2005. Cate está morrendo, acompanhada pela filha (Julia Ormond). Enquanto esperam pelo inevitável, ela dá à filha um diário e pede que o leia em voz alta. O diário relata, na primeira pessoa, o curioso caso de Benjamin Button.

Ele nasce como um freak, uma monstruosidade. Um bebê velho que vai remoçando à medida que se desenrola o fio de sua vida. Idoso, Benjamin conhece esta garota, Daisy. Vivem vidas invertidas e só por um breve momento, diante daquele espelho, atingem a perfeição do seu relacionamento.

O Curioso Caso de Benjamin Button talvez seja o mais estranho filme a surgir de Hollywood em anos. É tão delicado, frágil, tão perfeito - por mais risco que essa palavra envolva, como definição - que quase não tem competidor, e certamente não o tem na própria obra de Fincher, por mais importantes (e influentes) que sejam alguns, ou vários, de seus filmes.

Benjamin Button fala de amor, de tempo e vento. Mas lá pelas tantas ocorre outra coisa curiosa, embora talvez não tanto quanto um bebê nascer velho e ir regredindo até... Até quando? Pois essa é uma das questões que podem atordoar. Como vai terminar essa história? O que vai ocorrer com Benjamin? Numa cena, algo vai acontecer com Daisy e aí é a narrativa que se inverte. Em seus filmes anteriores, Fincher já levou sua câmera a insólitas viagens pelo interior do corpo humano, ou da mente. Aqui, a viagem interna é no próprio relato. Algo vai acontecer, mas o narrador se pergunta - se uma série de situações não tivessem se encadeado, se uma pessoa não tivesse se atrasado aqui, se outra não tivesse chamado um táxi ali e assim por diante, algo talvez não ocorresse e esse algo talvez seja a essência de Benjamin. A fragilidade. Mais do que um conto sobre a diferença, é sobre a fragilidade humana, sobre a fragilidade de contar histórias.

Se o velho retrocede até virar um bebê, sua trajetória inversa significa que, num determinado momento, ele vai se esquecer de tudo e todos e fazer sua viagem para o ventre materno, ou para a morte, não importa. O filme existe para iluminar essa trajetória, para eternizar esse momento.