segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vontade de comprar...

Paula Lima surge lindamente vestida de verde para desfilar seu suingue e – por que não? – improvisar, chamando o público para entrar no ritmo da festa. Deu certo. “Precisava passar essa liberdade que tenho nos shows. Sinto sempre frieza nos DVDs. O resultado deste é quente, reproduz exatamente o que ocorre no show”, compara ela, que contou com a parceria dos diretores Bruno Murtinho e Gian Carlo Belloti para levar adiante o projeto. A intenção, desde o início, foi aproveitar o projeto para contar um pouco da própria história. “Cresci ouvindo samba, aos 4 anos já escutava Martinho da Vila. Com 6, imitava Alcione e, aos 13, descobri Benjor. Adolescente, ouvia Michael Jackson e, depois dos 20, descobri o jazz e o soul.”

O repertório do DVD reúne todas essas influências. Paula Lima pinçou do primeiro disco canções como Quero ver você no baile (Seu Jorge e Gabriel Moura), Sai daqui tristeza (Max Viana) e É isso aí (Sidney Miller). Do segundo CD, trouxe Meu guarda-chuva (Jorge Benjor) e Gafieira S/A (Seu Jorge). Do disco Sinceramente trouxe Já pedi pra você parar (Arlindo Cruz e Babi), Tudo certo ou tudo errado (Arlindo Cruz e Maurição) e Negras perucas (Marcus Vinicius e Nilo Pinheiro), esta última com participação especial de Toni Garrido. Do repertório da dupla Ana Carolina e Antônio Villeroy foi buscar Eu já notei. “A intenção foi fazer um apanhado dos meus hits, acoplando músicas de que sempre gostei, como Jorge da Capadócia, que acabei transformando em espécie de oração, e outras como Deixa isto pra lá, com a qual me divirto muito.”

A inédita Samba sem nenhum problema (Márcio Local), de alguma forma, resume o projeto. “Trata das coisas importantes que se destacam no Brasil.”Gravado durante apresentação em agosto, na Casa das Caldeiras, em São Paulo, o DVD mistura todas as influências da intérprete: jazz, funk e soul mesclado aos elementos sonoros das guitarras distorcidas e à percussão, que, como ela diz, “pensa o samba com tempero de hip hip e drum’n’bass e pianos cheios de efeitos”. “Queria tirar essa imagem banquinho e violão. Não é o que mais me diverte. Gosto de palco, de gente, preciso de espaço. É o que faz meu sangue ferver”, resume ela, que não se considera sambista, mas se declara, como boa brasileira, fã do gênero. Nada mal para quem cresceu ouvindo samba, estudou piano clássico dos 7 aos 17 anos e tomou, para alegria dos fãs, gosto pelas mais variadas sonoridades de influências negras.

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