quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sonho de consumo mega blaster...

Até então tratada com indesculpável desleixo pela indústria fonográfica, a discografia de Ney Matogrosso ganha tratamento à altura de sua importância com o lançamento da caixa ‘Camaleão’, que embala 16 álbuns do período 1975-1991 e reúne 21 fonogramas avulsos do cantor na coletânea ‘Pérolas Raras’.

As reedições recuperam o material gráfico dos LPs originais e cada CD traz um texto (escrito pelo jornalista Rodrigo Faour, idealizador da caixa) sobre a história de cada álbum. O acervo pertence a três gravadoras, mas a ediçãode ‘Camaleão’ foi produzida pela Universal Music. Títulos nunca editados em CD como os três primeiros discos individuais de Ney — ‘Água do Céu-Pássaro’ (1975), ‘Bandido’ (1976) e ‘Pecado’ (1977), feitos na extinta Continental — chega no formato digital com som satisfatório, recuperado de cópias de LPs, já que as fitas originais estão deterioradas. Também inédito em CD é ‘Sujeito Estranho’, de 1980.

Outros discos, como o denso ‘Quem Não Vive Tem Medo da Morte (título valioso de 1988), eram raros, pois foram lançados em CD com pequena tiragem na época do lançamento e nunca mais reeditados.Raros ou não, os 17 discos expõem todas as caras de um intérprete de natureza camaleônica.

O repertório de Ney sempre teve alta carga de sexualidade. Basta ouvir ‘Feitiço’, disco de 1978, para detectar a face transgressora do cantor, que apareceu de cara limpa pela primeira vez em ‘Seu Tipo’, álbum de 1979. A maquiagem seria reposta nos esfuziantes discos do começo dos anos 80, ‘Ney Matogrosso’ (1981), ‘Matogrosso’ (1982) ‘... Pois É’ (1983) e ‘Destino de Aventureiro’ (1984).

Transitando entre a MPB e o pop, com atitude roqueira, Ney (quase) sempre driblou as pressões da indústria. Mas não engoliu até hoje a imposição da faixa ‘Calúnias (Telma, Eu Não Sou Gay)’ e, por isso, vetou a inclusão do fonograma na reedição do álbum ‘... Pois É’.

Inclassificável desde sempre, Ney foi de disco pop e eletrônico (‘Bugre’, 1986) a álbum camerístico (‘Pescador de Pérolas’, 1987) que gerou, em linha similar, ‘À Flor da Pele’ (1991), último título da caixa, jóia de obra que resiste bem ao tempo. O ‘Camaleão’ mudou de cores ao longo de 35 anos sem nunca sair do tom.

2 comentários:

Ana Paula Florentino disse...

eu já comprei.

Anônimo disse...

como assim???? você comprou essa caixa????? Hummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm...