Pabla, vou chupinhar a sua idéia e escrever sobre um disco que, para mim, é mais do que essencial. É engraçado como músicas que você escuta desde que nasceu ganham um novo sentido em determinada fase da “Vida”. Ou será que é a vida que ganha um novo sentido em determinada fase da música?No meu caso, vida e música sempre fizeram sentido. E mesmo quando o momento que a gente vive parece não ter o menor sentido, sempre existe uma música pra ele. Mesmo que seja necessário se afastar dela para que tudo volte a fazer sentido.
E, tirando o pó do bom e velho “Vida” da prateleira, eu tirei o pó - também - das velhas interpretações. E redescobri que é melhor sofrer em dó menor do que sofrer calado, cantar uma alegria e cantar mais, chorar até ficar de mal de você mesmo, rolar no leito engolindo água e constatar que tudo já passou.
De todas as maneiras que há de amar, Chico fazia há quase 30 anos os versos que todo mundo gostaria de já ter feito um dia. E é muito bom ter o respaldo de um gênio como ele pra poder cantar a plenos pulmões a pressa do nosso coração desandando a bater desvairado.
Não conseguiria escolher, dentre a vasta obra do Chico, um cd apenas. Mas "Vida", de 1980, é o cd que está no meu mp3 agora. A começar pela canção-titulo, "Arranca, vida / Estufa, veia / E pulsa, pulsa, pulsa / Pulsa, pulsa mais", um petardo que fez diferença em muitos momentos angustiantes da minha existência. Depois vem a doce "Mar e Lua", em que o autor demonstra, mais uma vez, a sua veia pelo eu feminino, narrando as desventuras amorosas entre duas mulheres, "Amaram o amor urgente / As bocas salgadas pela maresia / As costas lanhadas pela tempestade / (...) /Amavam o amor proibido / Pois hoje é sabido / Todo mundo conta /Que uma andava tonta / Grávida de lua / E outra andava nua / Ávida de mar". Seguem os sambas "Deixa a Menina" e "Já Passou", deliciosos. Vem a hipnótica "Bastidores" e a belíssima "Qualquer Canção".
"E se, de repente / A gente não sentisse / A dor que a gente finge / E sente", entoa Chico em "Fantasia". E vem a música "Eu te Amo", dueto com Telma Costa, e uma das mais belas músicas já compostas em toda a história da humanidade (sem exageros), quem não se emociona ao ouvir: "Ah, se já perdemos a noção da hora / Se juntos já jogamos tudo fora / Me conta agora como hei de partir / Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios / Rompi com o mundo, queimei meus navios / Me diz pra onde é que inda posso ir".
O disco impecável ainda nos presenteia com "De todas as maneiras", "Morena de Angola", "Bye, Bye Brasil" e fecha com a apoteótica "Não sonho Mais", dona dos versos, "Pois eu sonhei contigo / E caí da cama / Ai, amor, não briga / Ai, não me castiga / Ai, diz que me ama / E eu não sonho mais".
Depois desse disco o que queremos é sonhar cada vez mais e agradecer aos céus por nos ter presenteado com esse compositor maravilhoso.

3 comentários:
Chupinhe avonts! Com nossos próprios escritos, a qualidade do bloguete melhora!!! kkk
Não conheço este disco, mas algumas músicas. NO entanto, Chico dispensa comentários.
"Estava a toa na vida
O meu amor me chamor
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor..."
E esta é aúnica música, que, independente de como eu esteja, me deixa feliz a qualquer momento, será que posso dizer que esta é a música da minha vida, ou a música que impulsiona a minha alegria e acaba com a minha tristeza a qualquer hora do dia???
Noooooosssa...fudido...esse é o cara, indiscutivelmente!!
Tô com inveja, pera que eu já venho!!
Postar um comentário