sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O filme da minha vida

Revi, há alguns dia, o filme Magnólia, e percebi que, esse é o filme da minha vida. Absolutamente perfeito em todos os sentidos e me evoca sensações que tento esconder.

Depois de surpreender cinéfilos de todo o mundo com o brilhante Boogie Nights, o jovem diretor Paul Thomas Anderson tinha um belo desafio pela frente: como fazer jus às expectativas de seus fãs recém-conquistados, que aguardavam seu novo trabalho com ávida ansiedade? A maneira encontrada foi inusitada: Anderson inspirou-se em várias músicas de uma amiga, a cantora Aimee Mann, para escrever um roteiro absolutamente inovador e incrivelmente complexo, que seguia os acontecimentos da vida de nove pessoas durante um período de 24 horas na cidade de Los Angeles.

Apesar de ser comparado por alguns à Short Cuts, de Robert Altman, Magnólia prova sua originalidade logo em sua seqüência inicial, que de maneira engenhosa e criativa aborda três interessantes narrativas (supostamente reais) de mortes que envolveram coincidências inacreditáveis. A partir daí, o filme mergulha na vida de seus personagens, criando na platéia uma intensa expectativa de descobrir como todos serão inter-relacionados no final da trama.

Talvez a maior proeza de Paul Thomas Anderson em Magnólia seja sua capacidade de fazer com que o espectador se envolva com todas as figuras que cruzam a tela sem provocar um nó na cabeça de quem assiste ao filme. Intercalando as diversas tramas, o diretor consegue manter um ritmo constante enquanto desenvolve paralelamente as situações vividas por seus personagens. Assim, ao mesmo tempo em que acompanhamos o sofrimento do paciente de câncer terminal Earl Partridge, descobrimos que a esposa deste vem mergulhando em uma cruzada de auto-destruição por julgar-se culpada por suas traições. Neste meio-tempo, conhecemos Frank T.J. Mackey, um mestre da auto-ajuda que ensina homens inseguros a levar mulheres para a cama. No entanto, logo somos informados de que Frank é, na verdade, filho de Earl, que incumbe seu enfermeiro Phil de encontrá-lo. Além disso, há Jimmy Gator, o apresentador de um jogo de perguntas protagonizado por crianças-prodígio - entre elas, o pequeno Stanley, sempre pressionado pelo pai, Rick. Gator, por sua vez, é pai de Claudia, uma jovem viciada que saiu de casa há dez anos e que acaba de conhecer o sensível policial Jim Kurring. E não podemos nos esquecer de Donnie Smith, que em sua infância foi um dos grandes astros do programa de Gator... e isto é apenas o começo.

Muitas foram as pessoas que condenaram Magnólia em função de uma inesperada reviravolta que acontece na meia hora final de projeção. Para estas pessoas, o filme se torna ilógico e até mesmo insuportavelmente surreal a partir do momento em que os personagens da história são surpreendidos por uma intensa chuva... de sapos!

Quando assisti a este filme pela primeira vez, interpretei a chuva de sapos como uma metáfora para o 'acaso' - aquele fator inesperado que pode alterar o curso da vida de qualquer pessoa: um acidente, uma briga, a descoberta de uma marca de batom no colarinho, um pneu furado... O que me levava a esta análise era a seqüência de abertura do filme, que abordava as incríveis coincidências que ocorriam a todo instante por todo o planeta. Pensem nisso: uma pessoa está passando em frente a um shopping center quando, de repente, sente fome e decide comer algo na praça de alimentação do lugar. Momentos depois, uma explosão provocada por um vazamento de gás acontece e ela morre. Ou - para citarmos outro trágico caso real - uma garota caminha tranqüilamente pela Avenida Paulista quando, para seu infortúnio, um guindaste despenca de uma altura de mais de vinte andares, atingindo o chão no exato momento em que ela passava no local. Para mim, a 'chuva de sapos' representava a explosão de gás ou o guindaste. Um infortúnio. O acaso.

No entanto, depois de assistir Magnólia mais duas vezes, compreendo que estava equivocado. Há uma outra interpretação muito mais complexa, interessante e simbólica para a famosa chuva do filme. Na verdade, a pista inicial que me levou a esta análise partiu da observação de um curioso cartaz na cena em que o programa de Jimmy Gator está prestes a começar. Carregado por um membro da platéia do show, o cartaz traz a inscrição 'Êxodo 8:2'. Uma rápida consulta à Bíblia revela o seguinte versículo: "Mas se recusares a deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos".
Interessante? Pois a coisa fica ainda melhor quando paramos para analisar os resultados da chuva em si. Segundos antes dela acontecer, todos os personagens do filme atingiram seus próprios limites: Donnie Smith está prestes a ser preso por Jim (que, por sua vez, acaba de perder Claudia); Jimmy Gator resolve se matar depois de confessar para Rose que molestou a filha; Stanley se isola na biblioteca para fugir da opressão do pai; Frank passa pelo conflito de ver o pai (que pensava odiar) à beira da morte; e, finalmente, Claudia se entrega novamente ao vício. Todos parecem perdidos, solitários e tristes.

É então que Frank T.J. Mackey grita para o pai: "Não se vá! Não se vá!". Lembre-se novamente de Êxodo 8:2: "Mas se recusares a deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos".

Em resposta ao pedido de Mackey, a chuva começa e, de certa forma, traz a redenção para todos: Donnie é atingido por um sapo e quebra os dentes (o que finalmente o leva a compreender sua própria capacidade de amar - além, é claro, de agora realmente precisar de aparelho); Claudia se reencontra com a mãe; Jimmy não consegue se matar, atingindo o aparelho de televisão (outra interessante metáfora, já que sua vida na TV o levou aos excessos que o condenaram); Frank e o pai se reencontram pela última vez (Earl acorda com o barulho da chuva); Kurring decide procurar Claudia ao recuperar sua confiança (e sua arma); e Stanley decide pedir ao pai que o 'trate melhor'.

Já o enfermeiro Phil Parma, sendo o único personagem estável do filme, presencia tudo com espanto, já que não precisa daquilo para resolver seus conflitos. Não é à toa que ele é o único a dizer alguma coisa com relação à chuva de sapos.

Não é maravilhoso ser levado por um filme desta maneira?

Não sonho mais...

Pabla, vou chupinhar a sua idéia e escrever sobre um disco que, para mim, é mais do que essencial. É engraçado como músicas que você escuta desde que nasceu ganham um novo sentido em determinada fase da “Vida”. Ou será que é a vida que ganha um novo sentido em determinada fase da música?

No meu caso, vida e música sempre fizeram sentido. E mesmo quando o momento que a gente vive parece não ter o menor sentido, sempre existe uma música pra ele. Mesmo que seja necessário se afastar dela para que tudo volte a fazer sentido.

E, tirando o pó do bom e velho “Vida” da prateleira, eu tirei o pó - também - das velhas interpretações. E redescobri que é melhor sofrer em dó menor do que sofrer calado, cantar uma alegria e cantar mais, chorar até ficar de mal de você mesmo, rolar no leito engolindo água e constatar que tudo já passou.

De todas as maneiras que há de amar, Chico fazia há quase 30 anos os versos que todo mundo gostaria de já ter feito um dia. E é muito bom ter o respaldo de um gênio como ele pra poder cantar a plenos pulmões a pressa do nosso coração desandando a bater desvairado.

Não conseguiria escolher, dentre a vasta obra do Chico, um cd apenas. Mas "Vida", de 1980, é o cd que está no meu mp3 agora. A começar pela canção-titulo, "Arranca, vida / Estufa, veia / E pulsa, pulsa, pulsa / Pulsa, pulsa mais", um petardo que fez diferença em muitos momentos angustiantes da minha existência. Depois vem a doce "Mar e Lua", em que o autor demonstra, mais uma vez, a sua veia pelo eu feminino, narrando as desventuras amorosas entre duas mulheres, "Amaram o amor urgente / As bocas salgadas pela maresia / As costas lanhadas pela tempestade / (...) /Amavam o amor proibido / Pois hoje é sabido / Todo mundo conta /Que uma andava tonta / Grávida de lua / E outra andava nua / Ávida de mar". Seguem os sambas "Deixa a Menina" e "Já Passou", deliciosos. Vem a hipnótica "Bastidores" e a belíssima "Qualquer Canção".

"E se, de repente / A gente não sentisse / A dor que a gente finge / E sente", entoa Chico em "Fantasia". E vem a música "Eu te Amo", dueto com Telma Costa, e uma das mais belas músicas já compostas em toda a história da humanidade (sem exageros), quem não se emociona ao ouvir: "Ah, se já perdemos a noção da hora / Se juntos já jogamos tudo fora / Me conta agora como hei de partir / Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios / Rompi com o mundo, queimei meus navios / Me diz pra onde é que inda posso ir".

O disco impecável ainda nos presenteia com "De todas as maneiras", "Morena de Angola", "Bye, Bye Brasil" e fecha com a apoteótica "Não sonho Mais", dona dos versos, "Pois eu sonhei contigo / E caí da cama / Ai, amor, não briga / Ai, não me castiga / Ai, diz que me ama / E eu não sonho mais".

Depois desse disco o que queremos é sonhar cada vez mais e agradecer aos céus por nos ter presenteado com esse compositor maravilhoso.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Esquentai vossos pandeiros

O gosto pelos sons típicos do Brasil afloraram em mim na época da faculdade, graças às aulas de estética e cultura de massa, em que aprendi que música boa não tem rótulo – daí a diferença entre preconceito musical e preferências.
Não sei explicar de forma teórica – o Blekic, como músico formado que é, pode fazer isso melhor do que ninguém – mas posso dizer que, hoje (de ouvido), sei bem qual a diferença entre o samba e o pagode, e as demais vertentes desse ritmo tão nosso. E é por causa desse entendimento que tenho gabarito (alguns podem entender como coragem), de dizer que prefiro o samba ao pagode. Só de dizer que prefiro o samba já é um grande feito, não para mim, mas para os preconceituosos musicais que não sabem distinguir a diferença entre o preconceito e a preferência....Ah! mas não quero aprofundar esse assunto, não é por isso que estou aqui, rs! Creio na evolução das pessoas!


Enfim, dei toda essa volta só para contar pra vocês qual o som que tá rolando no meu som: Acabou Chorare – uma obra-prima (segundo muitos outros mais entendidos que eu, que não entendo nada) gravada em 1972 pelos Novos Baianos. Que delícia!

Na verdade, meu flerte com os integrantes do grupo começou há uns 20 anos, quando eu imitava a Baby Consuelo – já em carreira solo – cantando “Menino do Rio”, do Caetano. Essa preferência só ficou guardadinha dentro de mim, hibernando por uns bons anos, até que eu sacasse o que realmente gosto.
Os Novos Baianos marcaram época. Em pouco tempo de vida, o conjunto soube fazer uma mistura bem boa de rock, bossa nova, choro e frevo, o que comprovou a influência tropicalista dos seus músicos – os hoje tão conhecidos por nós (mas com passado desconhecido por muitos) Moraes Moreira, Pepeu Gomes, a Baby (que agora é do Brasil), Paulinho Boca de Cantor e Galvão.
Indico que além do disco, conheçam também a história dessa banda. Em algumas leituras que fiz, em livros dedicados à história da Música Popular Brasileira, dá pra perceber que Novos Baianos foi a genuína banda alternativa, bem diferente do conceito de “alternativo” que a molecada usa hoje. Para os Novos Baianos, alternativo era o estilo de vida que levavam, em uma verdadeira “sociedade alternativa”. Os músicos viviam com suas famílias (mulheres, filhos, cachorros, papagaios..) em uma grande casa no Rio de Janeiro, onde dormiam em redes instaladas nos cômodos ou em barracas, armadas pelo quintal. Para terem uma idéia, a capa de “Acabou Chorare” é uma foto do acampamento da banda, retrato fiel do modo de vida que tinham.





“Mistério do Planeta” é o meu xodó, um tipo de auto-descrição. Mas sempre me arrepio quando ouço “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente, esta sim, uma canção digna de ser hino nacional do país (Oh, meu Brasil! Esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar). “Preta Pretinha” dispensa apresentações, mas, talvez, os solos de guitarra e as passagens da música (se é que se diz assim) mereçam mais atenção dos ouvidos seletivos. A letra de “Besta é Tu” é curta e grossa, porém, forte o suficiente pra fazer a gente botar a mão na consciência e, definitivamente, viver nesse mundo (se não há outro mundo!). “Swing de Campo Grande” não poderia ter sido interpretada por outra voz, senão a do Paulinho. Ouçam e me digam se minto. Baby contagia quando canta “Tinindo Trincando” e “A menina dança”, e a instrumental “Um bilhete pra Didi” é o atestado da qualidade musical do disco.

Bom, argumentos não faltam para que, pelo menos, baixem uma das músicas do disco e conheçam o som – claro, se não tiverem, assim como eu, a necessidade de ter o encarte e todos os apetrechos de um disco em mãos.
E faço votos para que o grupo entre na sua lista de preferências, sejam elas musicais ou não!

UPDATE: Ora, pois! Esqueci de comentar sobre a canção-título do disco, "Acabou Chorare": meus filhos ouvirão Novos Baianos!

Por Ana Paula Florentino.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

17 anos sem ele...


Freddie Mercury, nome artístico de Farokh Bommi Bulsara, (Zanzibar, 5 de Setembro de 1946Londres, 24 de novembro de 1991) foi o vocalista da banda de rock britânica Queen. É considerado pelos críticos[1][2] e por diversas votações populares[3][4] como um dos melhores cantores de sempre e com uma das vozes mais conhecidas do mundo.

Freddie Mercury nasceu na cidade de Stone Town, na ilha Zanzibar, à época colônia britânica, hoje pertencente à Tanzânia, na África Oriental. Seus pais, Bomi Bulsara e Jer Bulsara, eram indianos de etnia persa. Mercury foi educado na St. Peter Boarding School, uma escola inglesa perto de Mumbai, na Índia, onde deu seus primeiros passos no âmbito da canção, ao ter aulas de piano. Foi na escola que ele começou a ser chamado "Freddie" e, com o tempo até os seus pais passaram a chamá-lo assim.
Depois de se formar em sua terra natal, Mercury e família mudaram-se em 1964 para a Inglaterra devido a uma revolução iniciada em Zanzibar. Ele tinha dezoito anos. Lá diplomou-se em "Design Gráfico e Artístico" na Ealing Art College, seguindo os passos de Pete Townshend. Este conhecimento mostrar-se-ia útil depois de Freddie projetar o famoso símbolo da banda.
Algo que poucos fãs sabem é que na escola de artes em que se bacharelou, Freddie era conhecido como um aluno exemplar e muito quieto. Tinha uma personalidade bastante introspectiva. Concluiu os exames finais do curso com conceito A. Possui uma série de trabalhos em arte visual, hoje disponíveis em alguns sítios na internet.
Na faculdade ele conheceu o baixista Tim Staffell. Tim tinha uma banda na faculdade chamada Smile, que tinha Brian May como guitarrista e Roger Taylor como baterista, e levou Freddie para participar dos ensaios.
Em abril de 1970, Tim deixa o grupo e Freddie acaba ficando como vocalista da banda que passa a se chamar Queen. Freddie decide mudar o seu nome para Mercury. Ainda em 1970 ele conheceu Mary Austin, com quem viveu por cinco anos.Foi com ela que assumiu sua orientação sexual (Freddie era bissexual),e os dois mantiveram forte amizade até o fim de sua vida.
No visual de Freddie ha uma mudança que nao deixa de ser notada,se na era Glam de 70 o cabelo cumprido,eyliner preto, unhas pintadas ,os «maillotes» de bailado e sapato de tacão alto eram moda,estes iriam dar lugar a uma postura mais «macho»:cabedal preto,chapeu de policia,cabelo curto e meses mais tarde bigode,esta seria a sua imagem de marca na premiscua decada de 80.
Mercury compôs muitos dos sucessos da banda, como "Bohemian Rhapsody", "Somebody to Love", "Love Of My Life" e "We Are the Champions"; hinos eloqüentes e de estruturação extraordinária, particulares e sempiternos.Suas exibições ao vivo eram lendarias,tornando-se imagem de marca da banda,o avontade com que freddie dominava as multidões e os seus improvisos vocais envolvendo o publico no show,tornaram as suas turnês num enorme sucesso,tanto na decada de 70 mas principalmente enchendo estadios de todo o mundo nos anos 80.
Lançou dois discos solo, aclamados pela crítica e público.Em 1991 surgiam rumores que Mercury estava com AIDS,que se confirmaram em uma declaração feita por si mesmo em 23 de novembro um dia antes de morrer,vindo a falecer na noite de 24 de novembro de 1991 em sua propria casa, chamada de Garden Lodge. Sua morte causou repercussão e tristeza em todo o mundo. A casa de Freddie Mercury, passada por testamento à sua ex-namorada, Mary Austin, recebeu muitos buquês de flores na época, e continua a receber até hoje.
O Corpo de Freddie Mercury foi cremado e por isso infelizmente não existe tumulo para que o seus fãs viessem para o homenagea-lo.
Em 25 de novembro de 1992 foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, com a presença de Brian May, Roger Taylor, da cantora Montserrat Caballé, Jer e Bomi Bulsara (pais de Freddie) e Kashmira Bulsara (irmã de Freddie) em Montreux, na Suíça, cidade adotada por Freddie como seu segundo lar.
Os membros remanescentes dos Queen fundaram uma associação de caridade em seu nome, a "The Mercury Phoenix Trust", e organizaram em 20 de abril de 1992, no Wembley Stadium, o concerto beneficente "The Freddie Mercury Tribute Concert" para homenagear o trabalho e a vida de Freddie.
O cantor também foi conhecido pelo pseudônimo de Larry Lurex e pelo apelido Mr. Bad Guy.
Freddie Mercury era proprietário da voz, quem sabe, mais lírica - ou, se preferir, forte - de todos os tempos, chegando provavelmente a superar Elvis Presley e John Lennon. Contam alguns que, durante as gravações do álbum 'Barcelona'', Freddie desafiou Montserrat Caballé,a cantora lírica mais conhecida no mundo, para ver quem possuía maior fôlego. Mercury venceu com uma grande vantagem. Em 1992 dão-se os jogos Olímpicos de barcelona, ano depois da morte de FreddyMercury, nos quais Montserrat Caballé (cantora lírica Espanhola - Barcelona) intrepreta a famosa canção "Barcelona"gravada"1988 num dueto virtual com o cantor falecido dia 24 de Novembro de 1991 vitima de AIDS. Ainda hoje todos recordam o cantor e é recordado como um marco histórico para a História da música.




Pra gente, ainda sobra o que ele fez de bom.....

domingo, 23 de novembro de 2008

Melhor de três

Fazia muito tempo que eu não ia ao cinema três vezes seguidas e via três excelentes filmes. O primeiro foi o belíssimo Romance, do Guel Arraes, com Wagner Moura (lindo e sensual) e Letícia Sabatella; sempre adorei os filmes do Guel, desde O Auto da Compadecida a Lisbela e o Prisioneiro, mas este Romance é aquele tipo de filme que te faz sair do cinema com um baita sorriso no rosto, acreditando nas pessoas e no amor. A história é meio clichê, mas a a diferença aqui está na maneira como ela foi contada, o que fez toda a diferença.

Saí de Romance e, no mesmo dia, vi Os Estranhos - filme de terror que havia me aguçado já no trailler, completamente assustador - e o filme eleva esse terror à enésima potência. Também é uma história clichê, o que prova que, em se tratando de filmes e livros todas as boas histórias originais já foram contadas, o que pode-se fazer é contá-las de maneiras diferentes e criativas. Fazia tempo que não ficava preso na poltrona, tenso e morrendo de medo (nem a porcaria Jogos Mortais 5, está na hora de parar já, me deixou assim). O filmes não mostra quase nada, e mesmo assim é explicitamente violento e amedrontador. Veja acompanhado!

O que nos traz a mais grata surpresa dessa trinca. Vicky Cristina Barcelona, o novo filme do diretor Woody Allen. Scarlett Johansson (que faz o papel de Cristina) já é praticamente sua musa assumida (fez não somente “Ponto final”, mas também o sub-apreciado “Scoop - o grande furo” como protagonista) - ou seja, é possível compreender a facilidade com que o diretor explora seu potencial diante das câmeras. Mas como explicar a naturalidade com que Javier Bardem (completamente excitante e irresistível, muito diferente do psicopata de Onde os Francos Não Têm Vez) e Penélope Cruz costuram a história, com uma parte de sensualidade, uma de caricatura (ah, esses catalães esquentados…), uma parte de romance, e uma de humor. E ainda tem a (para mim) desconhecida Rebecca Hall, no papel de Vicky, a perfeita “moderna e reprimida” jovem americana! Impossível imaginar que Woddy tinha tudo isso no bolso, ou melhor, na sacola antes de começar a rodar “Vicky”…

Para quem ainda não assistiu - e sem tirar a graça de você que ainda quer ver - a história é simples: duas amigas americanas vão passar o verão em Barcelona. Vicky (a que aparentemente sabe o que quer) está prestes a se casar com “o homem perfeito”. Cristina (a que tem certeza apenas do que não quer) saiu de mais um fracasso amoroso e profissional. As duas encontram o artista plástico Juan Antonio (Bardem) que nos primeiros dois minutos de conversa declara sua intenção de levar as duas para a cama. Sem aceitar de primeira, as duas se aproximam dele, sabendo apenas que ele acaba de sair de um casamento tumultuado, depois que sua ex-mulher, Maria Elena, tentou matá-lo (preciso dizer quem faz o papel de Maria Elena?). Maria Elena, claro, reaparece a certa altura para ver o que se marido anda aprontando…

Imagine as possibilidades de sedução de uma história como essa - com um elenco como esse! Imaginou? Agora multiplique por dez. Como quem parece contagiado pela temperatura de um verão ibérico, Woody Allen desenrola entrelaces delirantes, como se, pelo menos por uma estação, o racional fosse suspenso e as pessoas se entregassem aos seus desejos. De uma maneira extremamente orgânica - nada ali, mesmo no ritmo de fantasia que predomina no filme parece que é forçado - os personagens vão descobrindo - ou melhor, vão convencendo uns aos outros, e ao mesmo tempo se convencendo - de que tudo pode, tudo é possível (a ponto de você se sentir desconfortável de assistir o filme ao lado de sua namorada ou seu namorado, ou marido, ou esposa, com quem você inevitavelmente se sentirá compelido a discutir seus desejos - ou não, reprimindo talvez uma relação que já não anda muito saudável…).

A facilidade com que eles aceitam isso é rapidamente absorvida por nós, meros espectadores, a ponto de a certa altura, sem que percebamos, já estarmos a ponto de aceitar todos os jogos amorosos e sensuais ali propostos sem nos preocuparmos em perguntar se não existe um preço a pagar por tudo isso…

Claro que existe - e quando ele é cobrado no filme, você já está tão envolvido com toda a trama que sua vontade é amaldiçoar o diretor por ter (mais uma vez) interferido como um “deus ex machina” no destino daquelas pessoas… (algo que Woody, como criador, faz com freqüência - e que já deixou até explícito, por exemplo, em “Poderosa Afrodite”, onde é a própria figura de um “deus ex machina” que decide que, no final, os dois personagens principais vão viver separados, cada um levando o filho do outro sem saber - um dos seus finais mais lindos de toda sua obra).
Depois do tobogã de possibilidades de relação que ele pinta em “Vicky Cristina Barcelona” - que inclui até um beijo sutilmente erótico entre duas das atrizes mais sensuais do cinema atual, Johansson e Cruz -, você se sente quase traído por ele ter dado uma solução tão corriqueira para todos os dilemas. Mas a vida é assim, não é? - parece que Woody pergunta a você, como uma provocação.

Momento: verde de passado!!!!

Mallu Magalhães e Marcelo Camelo assumem romance
A cantora esclareceu que não existe problema algum sobre a diferença de idade entre eles

Agora é pra valer. A cantora Mallu Magalhães assumiu o seu namoro com o também cantor Marcelo Camelo, na noite deste sábado, 22, durante uma apresentação no Morro da Urca, na Zona Sul do Rio. Quando questionada sobre a diferença de idade entre ela e o namorado, Mallu respondeu: “Não vejo problema nehum com essa história de idade. Isso existe?”, disse ela, que aos 16 anos vive um romance com um homem de 30 anos. Marcelo dividiu o palco com Mallu, que apresentou o cantor assim: “Gente, o Morro da Urca está entre as sete maravilhas do mundo, vamos votar. E por falar em maravilha, chamo agora Marcelo Camelo”. O dueto foi marcado pelas trocas de carinhos e até um beijo na nuca Mallu recebeu do namorado.

Na saída, o EGO flagrou o mais novo casal da música de mãos dadas e, no trajeto dentro do bondinho do Pão-de-Açúcar, os dois chegaram até a trocar um beijo muito rápido.

Mas a cantora, quando viu os jornalistas, pareceu assustada e segurou firme na mão do namorado. Sem saber o que falar, sorria enquanto passava as mãos pelos cabelos. No trajeto, parou para atender aos fãs e Marcelo saiu em disparada rumo ao carro que os aguardava. Completamente perdida, Mallu perguntou para um dos manobristas: “É aqui que eu entro, tem certeza?”. Os dois seguiram no mesmo carro para um restaurante onde iriam comemorar a apresentação da noite.

domingo, 16 de novembro de 2008

E como está a sua auto-estima?

1 - Não seja extremista, entre um sim e um não, um certo e um errado existem inúmeras possibilidades intermediárias;

2 - Veja a situação como um todo, tudo tem o seu lado positivo;

3 - Analise as probabilidades reais de um fato acontecer, em vez de ficar imaginando verdadeiras catástrofes no seu dia-a-dia;

4 - Cuidado com as generalizações. Não é porque seu amor foi embora desta vez que todo mundo vai fazer sempre a mesma coisa ou que ninguém, nunca mais, se interessará por você;

5 - Seja mais flexível consigo, erros ocorrem o tempo todo e fazem parte da vida;

6 - Pare de achar que tudo o que acontece é algo pessoal;

7 - Conteste seus pensamentos negativos com outros positivos sobre si mesmo;

8 - Faça uma tabela (no papel ou mental) e relacione: acontecimento, pensamentos negativos gerados por isso, sensações que você teve ao pensar dessa maneira, como você poderia responder a isso de forma mais amorosa e o que essa nova atitude provoca em você;

9 - Faça perguntas a si mesmo: será que eu realmente precisos er assim? Isso tem a ver comigo? Estou feliz com essa escolha?

10 - Se não tiver espaço para conversar abertamente coma s pessoas que o feriram no passado, escreva uma carta sincera e deixe todas as mágoas e ressentimentos virem à tona. Espere um ou dois dias para que seus sentimentos se acalmem e então queime a carta e reconcilie-se com você e com o passado.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

pluralidade

Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaa-ro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sociopolíticos existenciais e bláblábá em comum só podiam era dar mesmo nisso: cama. Realmente tenta­mos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, que foi meu deus que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro e não queria lembrar, mas não me saía da cabeça o teu pau murcho e os bicos dos meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, e não sei se você acreditou. Eu quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanto tesão mental espiritual moral existencial e nenhum físico, eu não que­ria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, éramos me­lhores, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos mais, éramos vagamente sagrados, mas no final das con­tas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou. Cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, eu enfiava fun­do o dedo na buceta noite após noite e pedia mete fundo, coração, explode junto comigo, me fode, depois virava de bruços e chorava no travesseiro, naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? naquele bar infec­to onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, meu bem, o que acontece é que como “bons-intelectuais-pequeno-burgueses” o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virgínia Woolf, como era mesmo o nome da fanchona? Vita, isso, Vita Sackville-West e o veado do marido dela, ora não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados não, me passa a vodca, o quê? e eu lá tenho grana para comprar uísque? não, não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra deca­dentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Eu peço um cigarro e ela me atira o maço na cara como quem joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, a velha angústia, saco, mas ando, ando, mais de duas décadas de convívio cotidiano, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, ah não me venha com essas histórias de “atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais”, eu nunca tive porra de ideal nenhum, eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais indivi­dualista elitista capitalista, eu só queria era ser feliz, cara, gorda, burra, alienada e completamente feliz. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, eu nem sei o que é dar certo, mas naquele tempo você ainda não tinha se deci­dido a dar o rabo nem eu a lamber buceta, ai que graci­nha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castaneda, depois Lang embaixo do braço, aqueles sonhos tolos colonizados nas cabecinhas idiotas.
Tinham um olhar dentro, de quem olha fixo e sacode a cabeça, acenando como se numa penetração entrassem fundo demais, concordando, refletidas. Olhavam fixo, pupilas perdidas na extensão amarelada das órbitas, e concordavam mudas. A sabedoria humilhante de quem percebe coisas apenas suspeitas pelos outros. Jamais saberíamos das conclusões a que chegavam, mas oblí­quos olhávamos em torno numa desconfiança que só findava com algum gesto ou palavra nem sempre opor­tunos. O fato é que tínhamos medo, ou quem sabe algu­ma espécie de respeito grande, de quem se vê menor frente a outros seres mais fortes e inexplicáveis. Medo por carência de outra palavra para melhor definir o sen­timento escorregadio na gente, de leve escapando para um canto da consciência de onde, ressabiado, espreita­ria. E enveredávamos então pelo caminho do fácil, ten­tando suavizar o que não era suave. Recusando-lhes o mistério, recusávamos o nosso próprio medo e as enca­rávamos rotulando-as sem problema como "irracionais", relegando-as ao mundo bruto a que deviam forçosamen­te pertencer. O mundo de dentro do qual não podiam atrever-se a desafiar-nos com o conhecimento de algo ignorado por nós. Pois orgulhos, não admitiríamos que vissem ou sentissem além de seus limites. Condicionadas a seus corpos atarracados, de penas cinzentas e três gar­ras quase ridículas na agressividade forçada ― condicio­nadas à sua precariedade, elas não poderiam ter mais do que lhe seria permitido por nós, humanos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esse é o Billy Paul........tô besta!


Billy Paul, nome artístico de Paul Williams (Filadélfia, 1 de dezembro de 1934) é um cantor estadunidense. Iniciou sua carreira com apenas 11 anos, se apresentando em shows de rádio. Realizou algumas gravações durante a década de 50, mas só despontou como vocalista de R&B na década de 70. A partir de então, trabalhou com nomes como Miles Davis, Charlie Parker e Roberta Flack. Seu primeiro sucesso veio com "Ebony Woman" - que já havia sido gravada anteriormente, em 1959, mas não tinha vingado -, no disco homônimo de 1970, que lhe rendeu um contrato com a gravadora Philadelphia International. Dois anos depois, emplacava o sucesso que virou sua marca, "Me & Mrs. Jones", no primeiro posto das paradas de R&B. A música fazia parte do LP 360 Degrees of Billy Paul, um disco que vendeu bem no Brasil durante toda a década de 70. Em 1973, "Thanks for Saving My Life", do álbum War of the Gods, repetiu o feito, com seu estilo elegante, porém arrebatado. O disco ao vivo Live in Europe (1974) revelava as inclinações jazzísticas cultivadas em meio ao baladismo de seu repertório. Vieram depois os álbums When Love is New, Got My Head on Straight, Let 'Em In, Only The Strong Survive? cuja faixa-título ficou como um clássico da disco music - e First Class. Após seis anos sem gravar, voltou com Lately (1985), que incluía "Sexual Therapy", claramente inspirada no clássico de Marvin Gaye, "Sexual Healing". Em 1989, depois de Wide Open, Billy Paul anunciou a aposentadoria e se limitou a realizar apresentações nostálgicas pelo mundo, incluindo o Brasil, onde esteve por várias oportunidades. Em 1996, saiu o CD Very Best Of e, em 2000, Live: World Tour.Nascido e criado na Philadelphia, Billy Paul nasceu Paul Willians e começou a cantar com apenas 11 anos nas rádios locais graças a um amigo, Bill Cosby. Seu vocal era exercitado e seu estilo tomava forma enquanto escutava os discos que tinha em casa, jóias de 78 rotações, de jazz, soul e pop. Sua mãe tinha uma senhora coleção de Nat King Cole e tratou de educar muito bem os ouvidos do garoto.Conforme crescia, o interesse por música o acompanhava e para melhorar seu conhecimento Billy foi estudar música na Escola de Música do Oeste da Philadelphia, e na Escola de Música de Granoff. Depois de finalizar os estudos, começou a fazer shows em clubes locais. Foi então, que adotou o nome de Billy Paul, porque já havia um Paul Willians na ativa, um dos vocalistas dos Temptations.Aconteceu que o rapazinho se tornou o fenômeno da Philadelphia, fazendo um grande sucesso no underground do jazz. Devido à sua fama, Billy passou a década de 50 e 60 dividindo o palco com figuras lendárias do jazz, soul e do pop. Ganhou reconhecimento internacional tocando com Dinah Washington, Nina Simone, Miles Davis, Roberta Flack, Sammy Davis Jr., Charlie Parker, além do grande John Coltrane.Só por essas parcerias pode-se dizer que ele foi um grande músico. Mas, o big-bang de Paul ainda estava por acontecer. Antes de cumprir o serviço militar, Billy Paul já fazia parte de um trio, com quem gravou o primeiro álbum, Why Am I, pela Jubilee Records. Quando voltou, começou carreira solo. Seu primeiro álbum solo foi Feelin' Good at the Cadillac Club, que teve repercussão boa, inclusive comercial, e marcou o início de sua parceria com os produtores e compositores Kenny Gamble and Leon Huff. Paul começou a gravar pelo selo Gamble Label. O segundo álbum foi lançado em 1959, Ebony Woman, que foi produzido pelo selo Neptune, o mesmo que relançou o álbum na década de 70.No começo da década de 70, Gamble e Huff fundaram o selo Philadelphia Internacional, e um dos primeiros artistas e serem lançados foi o amigo Billy Paul. O primeiro álbum de Paul com o novo selo foi Going East, e não foi tão bem sucedido. Em 1972, seu quarto trabalho, foi produzido para ser uma guinada na carreira de Billy e por isso foi chamado de 360 Degrees of Billy Paul. De fato a virada começou com o sucesso retumbante e mundial, que veio com o big bang hit, a balada, 'Me and Mrs. Jones', escrita a seis mães por Paul, Gamble e Huff. A música, que narra a história de um adultério, ficou no topo de todas as paradas de soul por semanas em dezembro de 1972.A polêmica em torno do tema da balada fez com que algumas rádios se recusassem a tocar música com tão imoral tema. Por outro lado, isso fez com que o disco vendesse mais do que qualquer outro no mesmo ano, quase cinco milhões de cópias.Billy Paul ganhou em 1972, o Grammy de Melhor Vocal Masculino em interpretação de soul, por 'Me and Mrs. Jones'. Em 1974, Billy tentou chocar novamente, desta vez, sem sucesso, com o seu disco seguinte, Am I Black Enough for You? (Sou negro o bastante para você?), nenhuma rádio quis tocar a música, e foi um fracasso total. No mesmo ano, ele retoma sua posição de hitmaker com mais um sucesso, quase uma ironia, 'Thanks for Saving My Life', a música ficou entre as dez mais tocadas da parada soul.Paul continuou a trabalhar e a gravar durante os anos 80, sem muita projeção. Pelo selo Total Experience, Billy lançou o álbum Lately em 1985. Em Londres, 1989, anunciou sua aposentadoria. Depois disso continuou fazendo turnês e apresentando-se em clubes. Em 2000, saiu o álbum ao vivo, Live World Tour.Em 2003, Billy Paul entrou numa disputa judicial com seus antigos amigos Gamble e Huff , pelos direitos da reprodução do sucesso, 'Me and Mrs. Jones'. Ganhou 500.000 dólares no processo, por royalties que não haviam sido pagos desde a época do lançamendo do hit. Seu mais recente disco lançado foi em 2005, Live, com uma coletânea dos seus sucessos da carreira.!
Obrigado Aninha, pela pesquisa!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O mundo seria mais justo e mais seguro se não houvessem surgido as inúmeras religiões e fosse regido tão somente pela razão e a ética. É óbvio que isso é um delírio de minha parte, visto que o homem se diversifica culturalmente de forma dinâmica e, com essa diversificação cultural, sua capacidade criadora de pensar o leva também aos seus próprios delírios. Voltaire, em sua obra “Deus e os Homens”, afirma que não houve idéia melhor que pudesse pôr um freio aos homens, a fim de julgar seus sentimentos mais ocultos, do que a idéia de um deus que pune e recompensa a cada indivíduo. Por outro lado, essa mesma idéia que nos julga a nós mesmos, leva-nos a julgar aos outros segundo os nossos próprios parâmetros culturais e religiosos.
As nossas religiões monoteístas principalmente, cada uma a seu tempo, foram as mais intolerantes, xenofóbicas, sanguinárias e vingativas na história. Foi assim com os antigos judeus que, sob a promessa do seu deus, saquearam, dizimaram, assassinaram, estupraram e cometeram tantos outros atos bárbaros, contra tantos outros povos, para lhes tomar a terra sobre a qual eles tinham o “direito divino”, não importando o que pensavam os deuses dos demais povos. Afinal, todos os demais povos e deuses eram o “mal e a corrupção”.
Séculos mais tarde, foi a vez dos cristãos perpetrarem os mesmos crimes hediondos, com todos os requintes de crueldade inimagináveis, contra aqueles que representavam o “mal e a corrupção”: judeus, mulçumanos, índios americanos, negros ou quem quer que fosse contrário as suas convicções; que agora misturavam a fé, o pior de todos os males, e os interesses políticos escusos. Tudo praticado em nome do “direito divino”. Crimes que até hoje atormentam a consciência do nosso Papa, que vive a desculpar-se pelo que ele chama de “erros cometidos no passado”, utilizando um eufemismo para responder pelos crimes dos outros.
Hoje, em pleno século XXI, assistimos diariamente na TV loucos que lançam mão da bandeira do Islamismo para promover a barbárie também em nome do “direito divino”. A despeito da arrogância do império cristão de George W. Bush e do sadismo judaico de Ariel Sharon, são os fanáticos mulçumanos que estão moldando a imagem do Islã na opinião pública mundial, com seus homens-bomba e verdugos para quem a morte e a vida não tem nenhum significado. Eles tentam convencer e se impor ao ocidente por meio do medo, do terror, desprezando qualquer possibilidade diplomática, simplesmente porque o ocidente é o “mal e a corrupção”.
Talvez contribua com isso a omissão de uma voz mais racional a falar em nome do mundo islâmico contra a mensagem de terror do fanatismo. Com isso, causas nobilíssimas, como o direito do sofrido povo palestino a seu próprio Estado livre e independente e o direito do povo iraquiano de não viver na miséria nem sob ocupação estrangeira, são banalizadas servindo ao terror como ferramenta demagógica e destituída de qualquer senso pois, afinal, não existe senso no terror; existe fé e, conseqüentemente, fanatismo religioso.
Se fosse possível, como sugere o biólogo inglês Richard Dawkins, “... abolir a religião... provavelmente não teríamos mais atentados suicidas”. Eliminaria-se o fanatismo religioso que deseja “impor sua crença aos outros, não importa como”, nas palavras do escritor israelense Amós Oz.
O judaísmo evoluiu como foi possível, após sofrer séculos de exílios e diversas investidas genocidas. O cristianismo evoluiu como foi possível, após separar-se definitivamente do Estado e de ter sofrido também suas baixas em vidas. Os tormentos a que povo palestino é submetido e as diversas investidas genocidas que várias etnias do chamado mundo árabe tem sofrido, já deveriam ser suficientes para que o Islamismo evoluísse.
Estou consciente de que esta é uma abordagem demasiadamente superficial e simplista sobre uma questão tão abrangente e complexa. Mas esse texto não é uma tese, é apenas uma reflexão sobre essa nova sensação de “Guerra Fria” que volta a tirar o sono do planeta. Imagino que, enquanto tivermos esses dois terríveis tumores: fé e fanatismo; seja cristão, judaico ou islâmico, não haverá espaço para a diplomacia laica, a razão e o bom senso em favor de um mundo melhor para todos, pois sempre prevalecerá a máxima de Sartre: “O inferno são os outros”.