sábado, 20 de setembro de 2008

Em show solo, Marcelo Camelo canta Los Hermanos e até Mallu Magalhães

Foi em clima de "emoções" que Marcelo Camelo fez o primeiro show de sua carreira solo, nesta sexta (19), no festival No Ar Coquetel Molotov, no Recife. O cantor e compositor provocou uma mistura de euforia e caos na estréia ao vivo de seu disco, "Sou", para cerca de 3.000 pessoas que lotaram o auditório da Universidade Federal de Pernambuco. Detalhe: a maioria delas sabia de cor todas as novas letras.

Camelo subiu ao palco sozinho, acompanhado apenas de um violão. Os primeiros versos da inédita "Téo e gaivota" mal puderam ser ouvidos, tal o alvoroço da platéia. Não demorou muito, porém, para que os gritos histéricos virassem uma onda sonora entoando o mesmo hino, como nos velhos tempos de Los Hermanos. A satisfação do músico estava estampada em seu rosto.

"Tinha de ser aqui, tinha de ser hoje, tinha de ser no Recife e tinha de ser com vocês", comemorou. Se o Hurtmold é um dos principais responsáveis pelos arranjos elegantes de algumas faixas do álbum, ao vivo a escolha da banda se mostra ainda mais inteligente. O grupo paulistano deu o merecido respaldo às letras de Camelo, permeando com seu som experimental músicas como "Menina bordada" e "Doce solidão". Aqui, os 10 anos de experiência do sexteto renderam uma performance impecável. Destaque também para a participação do trompetista americano Rob Mazurek.

Sempre econômico nas palavras, Camelo não poupou comentários durante a apresentação, surpreso ao ver o público tão afiado. "A alegria de estar com vocês não tem medida, não há palavra que caiba aqui. Que saudades que eu estava", derreteu-se. O auge da "fofura" foi quando a cantora Mallu Magalhães, que se apresenta na segunda noite do festival, subiu ao palco na hora da faixa "Janta". "Ela mudou o meu jeito de ouvir música e de ver a vida", disparou o cantor. Só que as lágrimas foram mais fortes e quase não deixaram a adolescente cantar. "Eu não conseguia parar de chorar", lamentou-se, mais tarde, a cantora no backstage. Além de mimada com abraços e beijinhos, ela ainda foi homenageada quando Camelo cantou "Tchubaruba", que virou hit na internet.

Além da canção "Morena", em dueto com a artista mirim, Camelo relembrou da fase Los Hermanos a bela "Pois é" e a menos conhecida "Liberdade" - todas recebidas com igual fervor pelos fãs com seus arranjos diferentes. A festiva "Copacabana", do álbum solo, encerrou a apresentação em clima de carnaval e Chico Buarque. Marcelo Camelo, é claro, saiu ovacionado. E esse foi só o começo.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Viva o fim do Los Hermanos!

Depois de o líder da antiga banda, Marcelo Camelo, lançar disco solo, chegou a vez de Rodrigo Amarante provar que o fim do Los Hermanos não foi tão ruim assim

No começo, parecia notícia ruim. A mais inovadora banda de rock do país desmanchou, no auge, a irmandade de dez anos e seus integrantes partiram para tocar seus projetos pessoais. A festa de despedida do Los Hermanos, que eles insistiam em chamar de “até logo”, foi uma das mais impressionantes demonstrações de amor do público pelo trabalho de um artista. A seqüência de três shows concluída em 10 de junho de 2007 na arena da Fundição Progresso, a mais charmosa do Rio, teve casa cheia com cinco mil pessoas todos os dias, e todo mundo cantando e pulando como se fosse uma pessoa só. E chorando também. Mas não com a histeria pré-adolescente de fãs do NX Zero. Não são fãs que choram sempre. Foi um misto de êxtase e decepção.

Hoje, um ano e três meses depois, é quase unanimidade pensar que o fim, ou recesso, foi uma boa nova. Mesmo entre os seguidores mais ardorosos da banda. E os grandes responsáveis por isso são os cérebros do grupo, Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante – Rodrigo Barba e Bruno Medina também dão seus passinhos, mas menos inspirados.

Setembro de 2008 chegou com o registro dos shows de despedida em um emocionante DVD. Quase concomitantemente, Marcelo Camelo, vocalista e compositor da banda, divulgou em seu site dez das 14 faixas de seu álbum solo Sou, uma corruptela da palavra “nós” ao contrário e de ponta-cabeça. O trabalho mostra o quanto os caminhos de sua música não cabiam mais no formato guitarra/baixo/bateria/teclado de sua banda. Os maiores exemplos disso são a bela marchinha “Copacabana”, digna de um bloco de Carnaval do começo do século passado, e “Liberdade”, um xote executado em parceria com Dominguinhos.

A novidade da vez, porém, é a divulgação das primeiras três músicas da banda Little Joy, do “hermano” Rodrigo Amarante com o baterista da banda Strokes, Fabrizio Moretti, e a namorada de Moretti, a bela Binki Shapiro. Os três foram produzidos pelo parceiro do neo-hippie Devendra Banhart, Noah Georgeson, e o som aprofundou-se pelo rock alternativo com inspiração setentista. A voz arrastada de Amarante em inglês ficou estranhamente parecida com a do vocalista do Strokes, Julian Casablancas, o que pode prejudicar o trabalho na mão dos críticos mais ácidos. Mas as músicas são uma surpresa boa, principalmente “No one’s better sake”, com leveza e balanço quase jamaicanos. A banda sai em turnê no dia 24 deste mês e o disco completo, com onze faixas, está previsto para o começo de novembro.

Camelo e Amarante dão a sensação de que o leque musical do Los Hermanos se abriu. E, se a banda nunca mais voltar, terá, além de um belo repertório para ser ouvido sempre, o mérito de ser a referência de dois grandes artistas. Se for assim, que continuem separados por muito tempo.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Amy Winehouse estampa capa da ‘Rolling Stone’ Brasil

A cantora britânica Amy Winehouse, prestes a completar 25 anos, é capa da edição de setembro da "Rolling Stone Brasil". Na matéria, originalmente publicada em julho na versão americana da revista, a repórter passa uma noite na casa da popstar e conta como foi a experiência.

"Tudo a sua volta é de uma bagunça desastrosa: sacos de batatinha vazios, bolinhas amassadas de papel-alumínio, garrafas de cerveja, caixas de lingerie e velhos cartões de crédito espalhados contam a história de uma longa noite que não termina há semanas, meses talvez", relata Claire Hoffman à revista. Na casa de Amy, rolaram todos os tipos de assunto. De Blake Fielder-Civil, o marido preso, a drogas, passando por trivialidades.

"Pra ser honesta Blake está longe, estou chateada, sou jovem. É como se não tivesse razão para viver. Tem sido uma fase difícil", lamenta. "Estou em uma dieta restrita a pizza. É para ganhar peso. Adoro comida, só ando meio estressada", continua.

Para ouvir, no volume máximo: a música Valerie, remixada por Mark Ronsom. Babadeira!!!

Boas vindas à Santa!

No deserto de publicações de qualidade sobre artes visuais no Brasil, a chegada da revista trimestral Santa Art Magazine merece ser aplaudida com entusiasmo. Apresentada pelo editor Sérgio Maurício como uma “revista-galeria”, Santa tem um grande formato, projeto gráfico refinado e papel e impressão de alta qualidade, como convém ao seu conteúdo.

A pauta do primeiro número sugere uma linha editorial aberta e não comprometida. Destaco a entrevista de Affonso Beato, as telas de Gabriella Machado (apresentada por Ronaldo Britto) e o ensaio fotográfico de Marcos Prado sobre o Tibet (acompanhado de um artigo de Pedro Karp Vasquez). Como único reparo, eu diria que a fotografia ocupou um espaço grande demais nesta edição (quando comparado às outras artes visuais). Mas a revista tem tudo para se consolidar, nos próximos números, como uma publicação de referência. Para ler e colecionar.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

RECOMEÇO

Vida, esta palavra, tão pequena mas tão desejada, enfim será vivida e não interpretada.
Hoje, vejo a minha vida como uma página em branco, que estou disposta a reescrever a qualquer momento, disposta a apagar as coisas ruins e seguir em frente, não vou mais me martirizar por erros do passado ou os que vou chegar a cometer, vou buscar tirar algo de positivo e aprenderei com eles, pois como sempre me disseram, até da pior situação nós sempre conseguimos tirar algo de positivo e proveitoso, e se isso não acontecer, fica a lição.
Quando não encontrar as palavras certas deixarei o sol entrar pela minha janela e iluminar estas páginas em branco, buscarei inspirações naqueles que amo, naquilo que acredito e que me parece certo, pois mesmo errando nós estamos certos, meio bizarro isso, mas no momento que cometemos algo que depois se mostra a pior bobeira que fizemos, naquele momento pareceu certo (pelo menos pra nós) fazer aquilo, então estávamos certos.
Serei uma pessoa livre, pra opinar, pensar, agir e viver, sem nenhuma inibição ou medo, pois a vida é isso, viver sem medo de ser feliz ou triste, pois a tristeza está aí pra gente lembrar o quanto somos sortudos em estarmos vivos. Viverei de acordo com as minhas crenças e não aquelas que incutiram em minha vida desde pequena.
A partir de hoje, sentirei a chuva cair em minha pele, como uma das maiores bênçãos que eu um dia, sonhei em ter, afinal os pingos da chuva molhando meu rosto, o sol iluminando aquele sorriso que teima em se esconder atrás de meu rosto carrancudo, serão a maior dádiva que poderei ter, pois só eu posso sentir tudo isso e mais ninguém.
O livro da minha vida vai começar hoje, com palavras conhecidas e com aquelas que virei a conhecer, estou de braços abertos para as possibilidades que a vida me reserva, estou com a cara limpa para viver e nada mais.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Grata surpresa

"Os que sabem fazer fazem, os que não sabem ensinam, os que não sabem ensinar ensinam aos professores, e os que não sabem ensinar aos professores fazem política. (...)

Não há ninguém mais sonhador que o cínico. É porque ainda acredita, do fundo da alma, que o mundo tem um sentido e porque não consegue abrir mão das baboseiras da infância que ele adota a atitude contrária. A vida é uma bandida , não creio mais em nada, e dela gozarei até a náusea, são as palavras perfeitas do ingênio contrariado. (...)

Mas eu, do meu lado, acredito que essa frase é um verdadeiro pensamento profundo, justamente porque não é verdade, ao menos não é uma verdade absoluta. Ela não quer dizer o que se pensa no início. Se alguém ascendesse na hierarquia social na proporção de sua incompetência, garanto a vocês que o mundo não giraria como gira. Mas o problema não é esse. O que essa frase quer dizer não é que os incompetentes têm um lugar ao sol, é que nada é mais duro e injusto do que a realidade humana: os homens vivem em um mundo em que são as palavras , e não os atos, que têm poder, em que a competência última é o domínio da linguagem. É terrível, porque na verdade somos uns primatas programados para comer, dormir, nos reproduzir, conquistar e tornar seguro o nosso território, e os mais dotados para isso, os mais animais entre todos nós, são sempre passados para trás pelos outros, por esses que falam bem, quando, na realidade, seriam incapazes de defender seu jardim, de trazer um coelho para o jantar ou de procriar corretamente. Os homens vivem num mundo em que são os fracos que dominam. É uma injúria terrível à nossa natureza animal, um gênero de perversão, de contradição profunda".

Esse é um trecho do livro A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, que comecei a ler esta semana e revelou-se uma grata surpresa.

Qual é a história? À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou - por que não? - duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em seu segundo romance.

Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

E ainda há Paloma, a caçula da família Josse - e os trechos acima são do diário dessa menina de 12 anos. O pai é um figurão da política, a mãe dondoca tem doutorado em letras, a irmã mais velha jura que é filósofa, mas Paloma conhece bem demais o verso e o reverso da vida familiar para engolir a história oficial. Tanto que se impõe um desafio terrível: ou descobre algum sentido para a vida, ou comete suicídio (seguido de incêndio) no seu aniversário de treze anos. Enquanto a data não chega, mantém duas séries de anotações pessoais e filosóficas: os Pensamentos profundos e o Diário do movimento do mundo, crônicas de suas experiências íntimas e também da vida no prédio.

As vozes da garota e da zeladora, primeiro paralelas, depois entrelaçadas, vão desenhando uma espiral em que se misturam argumentos filosóficos, instantes de revelação estética, birras de classe e maldades adolescentes, poemas orientais e filmes blockbuster. As duas filósofas, Renée e Paloma, estão inteiramente entregues a esse ímpeto satírico e devastador, quando chega de mudança o bem-humorado Kakuro Ozu, senhor japonês com nome de cineasta que, sem alarde, saberá salvá-las tanto da mediocridade geral como dos próprios espinhos.

Em outras palavras: fodástico!!!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

setembrochove?

Não!

(Hahaha, piadinha de firma)