domingo, 31 de agosto de 2008

I wanna rock!

Sobre o novo dvd do Los Hermanos - na Fundição Progresso, talvez eu compre, mas, sem pressa alguma. Não porque eu assisti ontem na TV, mas porque não tem nada de extraordinário que me faça querer rever as duas horas de apresentação.

Tudo bem que eu nunca tinha visto eles cantarem Anna Julia (tirando quando foram no programa da Xuxa, há milianos), mas, até aí, é mais um show do Los Hermanos. A qualidade do som está péssima – em muitas músicas, não dá pra ouvir a voz dos cantores (se bem que o Camelo está cantando ainda pior, e o Amarante fazendo cada vez mais tipo, com voz de bêbado). O cenário, simplesmente, não existe – isso dá a sensação de ser um show cansativo, mais do mesmo, sabe? Por se tratar da gravação de um dvd, acredito que o investimento nas imagens deveria ter sido muito melhor – as câmeras deixam à desejar, foco zero! Já que é pra ver pela TV, que tal mostrar os caras mais de perto? Mas, não, preferiram apostar em imagens da lateral do palco e da visão da platéia superior.

Marcelo Camelo está bem saidinho, dando-se ao luxo de falar palavrões pra galera. Rodrigo Amarante (que no início do show tá mais pra Matheus Nachtergale), continua o mesmo sabichão, porém, ainda mais no salto.

Mas, para mim ficou uma coisa boa: a lembrança! Lembrança de uma época bem legal, época de faculdade, quando nós, os pseudos, vivíamos ao som desses caras e nos achávamos os mais ‘ins’ do momento. Que vontade de entrar num show de rock e dançar with myself, tomar umas brejinhas e ter a sensação de rebeldia que a música proporciona.

Se Los Hermanos vai voltar a tocar, para mim, sinceramente, não interessa (acreditem!). Eu quero é fazer rock n’ roll à minha maneira, independente do animador da festa, sem hipocrisia. Chega de perder tempo com mais do mesmo (entendam de maneira generalizada aqui).

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

DIVO


Essa é a capa do primeiro número da DIVO.
Olha só o que tem:
Entrevista com o Ney Matogrosso, falando sobre a nova turnê, idade, forma física, Secos & Molhados, Cazuza, homossexualismo, política, anos 70.
Matéria relembrando Cazuza, que completaria 50 anos.
Fotos indescritíveis do top Edilson Nascimento.
Textos de Jean Wyllys, João Silvério Trevisan, Fernanda Young e Caio Fernando Abreu.
Matéria sobre a fascinação dos gays pela forma física, a exarcebação do ideal do corpo gay.
Os 10 filmes com temática LGBT que você não pode perder.
Matéria sobre relacionamentos entre homens, por que são tão complicados?
E mais: Mamma Mia!, Madonna no Brasil, Duffy, João Gilberto Noll, Brothers & Sisters...

Em processo...

O que é estar em processo?

Olhar ao redor e enxergar o que eu não via?
Perceber coisas, antes impercebíveis, nas pessoas que me cercam?
Reconstruir minhas armaduras internas? Podar o meu jardim?

Não sei, só sei que sei que estou em um momento de transição. Para o que, eu ainda não descobri...

Mas quero!

Ir ao show da Madonna mudará a minha vida? Talvez não, mas é um começo...

Aceitar uma proposta de namoro, por um homem lindo de morrer, cuidadoso de dar raiva, romântico como eu sempre quis, maduro e todas as qualidades que eu sempre procurei? Talvez sim, mas não sinto que estou preparado e ele merece alguém que esteja...

Vida profissional estagnada. Clientes descontentes com o que antes era só qualidade. Será que vale o desgaste? Talvez não, mas é o preço que tenho de pagar...

Indignação frente a um acontecimento trágico. O que será que faz com que as pessoas se suicidem? Qual será a gota d´água para uma atitude tão extrema? Estava, neste fim de semana, vendo o filme Paixão Suicida, sobre um carinha que se mata e vai para o lugar onde todas as pessoas que tiram a própria vida vão e lá tem que, novamente, conviver com seus próprios erros. Será que o círculo nunca termina?

Momento de consumismo... Grey´s Anatomy, 2ª temporada, parte 1 e 2 - mudará minha percepção da vida? Talvez não, mas que me fez bem, ah isso fez...

Todo mundo tem uma fase em que precisa enfrentar seus próprios demônios, a minha já se extende por muitos anos. Quando será que esse processo de amadurecimento irá se completar? Pareço um viciado em processos inacabados...

Meu livro? Já está virando piada...
Meu regime? Prefiro nem comentar...

Esquecer o que eu já devia ter esquecido há tempos? Como é que a gente manda na cabeça, e por consequência, no coração? São órgãos dissimulados, isso sim... quando menos esperamos eles estão lá, batendo na mesma tecla, sempre.

Não importa onde estou e sim para onde irei daqui.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Banda da hora!

Eu estava em casa num dia modorrento, sapeando a TV em busca de algo menos ruim. Parei na MTV quando ouvi uma música que me encantou os ouvidos. Logo pensei que era uma nova canção do Radiohead, mas não dessa fase atual da banda, completamente incompreensível e chata, mas dos tempos áureos, em que Thom Yorke nos emocionava com sua voz e seus versos. Fiquei mais que contente. Olhava o clipe mas não conseguia ligar a música ao cantor, que por mais que eu tentasse vê-lo parecido com o Thom Yorke, alguma coisa não se encaixava.

Para minha surpresa, ao final do videoclipe, quando aparece a legenda com os nomes da música e banda, não era o Radiohead quem estava me deliciando e sim, o Muse. Confesso que nunca parei para ouvir Muse e só associava a banda à cover que o BRUK fez, maravilhosa por sinal. Mas fiquei intrigado.

Baixei todos os álbuns e recheei meu mp3 com as músicas do Muse. E cheguei a conclusão de que a banda é do caralho! Às vezes parece Radiohead, mas nem sempre. Quem ainda não ouviu faça-se o favor. Pena que não tive essa curiosidade antes, a tempo de ir ao show que a banda fez semana passada aqui no Brasil.

Discografia:
1 – Showbizz (1999)
2 – Origin of Symmetry (2001)
3 – Hullaballo (2002)
4 – Absolution (2003)
5 – Black Holes And Revelation (2006)
6 – HAARP (2008)

Ah, o videoclipe é o da música Invincible, do álbum Black Holes And Revelation. Clique aqui para ver.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Quando a verdade te dá um pontapé nos cornos

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim.

Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:

- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo.....
- Cinco anos...que pena...acabou....
- É...não deu certo...

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes voce não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.
Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.
Perceba qual o aspecto mais importante para voce e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro.
Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não brigue, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar.... ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?
O legal é alguém que está com você, só por você.
E vice versa.
Não fique com alguém por pena.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Muitas vezes voce vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração.....
Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.
E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse....
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... Ou se apaixonar... Ou se culpar...
Enfim... quem disse que ser adulto é fácil ?????

Belíssimo texto que recebi, atribuído ao Arnaldo Jabor, duvido que seja dele. Mas o que importa são as verdades embutidas. Quem disse que amar é fácil? Quem disse que existe sensação melhor na vida?

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Encarnação do diabo


Se, depois de ver o trailer, eu já queria ver o filme do Zé do Caixão, agora eu quero mais!!! Estréia sexta-feira. Oba!

A história, se é que isso interesa: José Mojica Marins, o Zé do Caixão, está trancafiado e esquecido por quarenta anos. Ele é solto e está em busca da "mulher superior", aquela que lhe dará o filho perfeito. Em sua busca, escolhe novos seguidores, é assombrado pelos fantasmas de suas vítimas, alucina e visita o purgatório. Um dos momentos mais chocantes do filme é quando uma mulher é retirada do ventre de um porco.

Trecho da crítica da SET: "As cenas de tortura fazem a série Jogos Mortais parecer uma brincadeira pueril (...)". A revista deu nota 9 para o filme.

Até que enfim...

Depois de 5 edições da Junior, 4 edições da DOM e 2 edições da Aimé - enfim, André Fischer e companhia acertaram na mosca. A nova Junior, de número 6, simplesmente está perfeita. Não sei se foi a mudança de editora, a parceria com a House of Palomino, a nova diagramação, os anunciantes de peso - são 130 páginas sensacionais.

Desde a capa, preta e com a logo dourada, o ensaio com o deus grego Carlos Freire, os depoimentos de homossexuais que moram nas ruas, Le Pakour, entrevista com o ator Gilberto Gawronski (amigo de Caio Fernando Abreu), o cantor gay Chris Garneau, Johnny Luxo entrevistando Alexandre Herchcovitch, festa do peão, matéria sobre os diferentes tamanhos de pênis, Nina Lemos, tendências de moda, o belíssimo enaio com homens chorando, fotografias sensualíssimas de Ethan James, new-faces, um guia gay de Berlim, cuidado com os dentes, conto escrito por Marcio El-Jack, fazem dessa Junior, a melhor revista gay já publicada no Brasil. Isso em um país que já teve a Sui Generis.

Única observação: a pessoa que faz a revisão da revista deve ficar mais atenta, porque deixou passar alguns erros de português e digitação imperdoáveis.

Compre, desfrute, deleite-se... que vale a pena!

O melhor filme do ano?

Esqueça todos os filmes baseados em HQs que você já viu. Batman – O Cavaleiro das Trevas traçou uma vertente de antes e depois. Ao sair do cinema, eu tinha a clara impressão de ter sido pisoteado e abatido a exaustão, tamanha a demanda emocional cobrada pelo longa e o intenso duelo psicológico travado por seus protagonistas.

Não é um filme de heróis e sim sobre vilões, sobre o mal, sobre a linha tênue que separa o bem do mal e em como essa linha pode ser ultrapassada, facilmente, quando algo muito precioso está em jogo. Os personagens soam humanos e o clima de medo em que Gotham City está mergulhada chega a ser palpável.

O Coringa encarnado pelo falecido Heath Ledger, e deixando a emoção pela morte do ator de lado, é uma figura que exala instabilidade e perigo, além de, como ele mesmo define, ser um elemento do caos. Dono de uma risada que, mesmo ensandecida, surge congelante na crueldade que evidencia, o personagem nos repele e incomoda, tornando o Coringa um vilão extremamente masoquista, sem limite ou lógica. Dominando a tela desde sua primeira aparição, quando vemos sua figura apropriadamente torta e de cabelos desgrenhados, Ledger vive um vilão em constante desequilíbrio interno, e mesmo que o espectador não conheça a sua história, que nunca é explicada, é simplesmente impossível compreender o que move este Coringa (ele não parece interessado em dinheiro ou poder), sua imprevisibilidade torna-se ainda maior, assim como a ameaça representada por sua presença – e toda vez que ele surge na tela, ficamos tensos e à espera do pior.

Entretanto, além do Coringa, o filme centra suas forças e tem a sua espinha dorsal alicerçada em outras duas figuras trágicas, o próprio Batman e em Harvey Dent. Bruce Wayne é um homem complexo, constantemente torturado pelas conseqüências de suas ações. Lamentando ter despertado não só o surgimento de “justiceiros” como também o de vilões extremados como o Coringa, Wayne deseja desesperadamente encontrar uma solução que lhe permita abandonar a máscara e viver uma existência normal – e, assim, suas esperanças em Harvey Dent soam tocantes por denunciarem sua fragilidade emocional. Assim, os melhores momentos do longa são aqueles que se concentram no confronto entre Batman e Coringa, que, de maneira peculiar, representam dois lados da mesma moeda.

E chegamos, finalmente, ao Harvey Dent representado de maneira trágica por Aaron Eckhart, que retrata com intensidade a instabilidade crescente de um homem que, mesmo determinado a fazer o que é certo, sente cada vez mais o peso da pressão exercida por seus oponentes – e é justamente por acreditarmos naquele homem que sua trajetória se torna tão dolorosamente trágica.

E ver a figura claudicante, vulnerável e trágica de Batman mergulhar nas sombras de uma cidade desesperada por figuras heróicas é, desde já, umas das imagens mais fortes e tristes que o gênero já produziu.