quinta-feira, 12 de junho de 2008

Sobre Anjos, Vinhos e Perder-se em Roma


Acho que sei o que me levou por alí.
Sábado. Noite. Trinta e cinco graus apontando
nos relógios da Via Nazionale.
Todo mundo na rua. Várias vozes, luzes,
várias línguas. Música clássica. Vinho.

Resolví me perder enquanto aguardava a hora
combinada de pegar o Felipe.
Passei por caminhos estreitos, labirintos.
Andei por debaixo de pontes, cruzei restaurantes cheios e
pessoas comendo sob luz de velas.
Encontrei estátuas e monumentos que me fitaram
por momentos e com as quais criei em instantes laços
de profunda adoração.

Virei uma rua. Outra estreita me aguardava na esquina.
Outra. Perfume no ar. Luzes de uma outra época. Musica.
Clássica. Outra esquina. E chorei.
Chorei como uma criança maravilhada e perplexa
diante de algo que ela nunca viu e nem quer perguntar,
pois sabe que ninguem vai conseguir definir.
Chorei de Felicidade. Não. Era mais que isso.
Bem mais que uma palavra.
Bem mais que algo que alguém de carne e osso possa explicar.
E que ninguém ouse.

***************************************************

Continuar na zona de conforto ou arriscar tudo?
Chegar naquele aeroporto não foi fácil.
Não foram poucas as vezes que pensei em não vir.

Os arames e as escolhas nunca apareciam desacompanhados.
A idéia da desistência, a dúvida, a saudade que sentiria,
sempre lá estavam como uma sombra. Nunca foi fácil.

Mas sabe quando voce sabe que era pra ser?
Sabe quando voce sabe o que voce quer e sabe que não basta saber?
Voce precisa de muitos anjos conspirando a seu favor.
E sempre os os tive por perto.

***************************************************

E brindamos ali no meio da Rua.
Em uma rua de Roma.
Nunca um vinho me pareceu tão bom.

***************************************************

Assim como os vinhos, a beleza e a música clássica,
os anjos estão em toda parte. Sempre acreditei.
Mas quando virei aquela rua estreita e dei de cara com umas das
coisas mais belas que poderia ter visto em vida, eu pude senti-los
me guiando até alí dez minutos atrás.

E assim chorei. E fiquei ali, por uma hora ou mais.
Estático. Em Paz. Fitando aquele deslumbre com o coração gigante e a cabeça agradecendo por um dia alguem ter concebido aquilo. Por eu ter tido a oportunidade de um dia me perder como naquele filme do Fellini e ganhar de presente a Fonte dos Trevos.

Nem me importei em dividí-la com tantos turistas.
Era minha e de mais ninguem, e de todos.
Bastava ter olhos para contemplar e um coração alege
para receber tanta grandiosidade.

***************************************************

E Roma é assim. Grande. Gigante. Belissima.
Música Clássica. Luzes quentes. Perfume.
História. Iluminação. Alma.
Basta ser amante da vida para senti-la.

Agradecerei a Deus até meu último dia pela companhia
de tão belos anjos, por meus amigos,
por ter nascido em uma familia que só me dá amor e
por um dia ter estado em Roma.

***************************************************
PS: Amigos desculpem a demora, os erros de acentuaçao
(to ainda brigando com o teclado) e estou com muitas
saudades de todos. De coraçao. Fiquem com Deus.
Beijoss.

4 comentários:

Blekic disse...

Só de ler já dá para sentir o que é estar aí!
Eu sempre imaginei tudo isso. E você acabou de confirmar.
Grande abraço Chá!!Mande um alô ao Felipe!

Ana Paula Florentino disse...

Ai, que lindo, Cha! Dá muita vontade de conhecer também. Beijões!!!

Anônimo disse...

Chá, a saudade é demais da conta, mas essa experiência, como você mesmo diz, é inesquecível e é só sua. Pode compartilhar conosco, meros mortais aqui nesse nosso Brasil. Lendo seu texto pude sentir-me um pouco ao seu lado. Sentindo os mesmos cheiros, degustando o mesmo vinho, vendo as mesmas coisas belas. Aliás, estou ao seu lado, em alma. Te amo meu amigo e escreva mais textinhos para eus entir-me assim, do seu lado, vendo e aprendendo tudo...

Carol disse...

MORRA...mocréio...hehehehehe
Brincadeirinha...
Beijos a vcs e saudades....