segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Just like a dream

Foi como um sonho... agora, 24 horas depois posso, finalmente, sentar aqui e tentar descrever as emoções daquele histórico 20/12. Confesso que a empolgação inicial, de assim que soube que Madonna viria ao Brasil – obviamente fiquei eufórico -, foi sendo substituído por um desdém, com os problemas com a venda dos ingressos e a superexposição.

Quando li sobre o primeiro show no Brasil, que choveu e a musa levou alguns tomos, já comecei a ficar angustiado. Depois quando o Chá foi na quinta-feira ver o show e me ligou desesperado falando que eu tinha de ver de qualquer jeito, que foi o show da vida dele, etc... o ânimo voltou e resolvi enfrentar a maratona que é ir a um show dessa escala.

Lá fomos eu, o Chá e o Elvis. Mesmo com o tempo modorrento, que não decidia se chovia logo, se esfriava ou se esquentava, nem a multidão ensandecida, nem a espera interminável, o atraso, o DJ irritante que abre o show, e nem o cd chatérrimo em que a turnê é baseada – diminuíram o brilha do show.

E que show! Estou embasbacada até agora. E pensar que Madonna já tem 50 anos e continua coma vitabilidade que muita garotada de 20 não tem nem metade.

Logo que o estádio do Morumbi apagou suas luzes e os dois Ms gigantescos do lado do palco se iluminaram, meu coração quase saiu pela boca. No centro do palco, uma caixa, antes estática, mas que agora havia se transformado em uma fábrica de doces, a “Candy Shop” da diva. A caixa vai se desmontando e, ao girar, revela Madonna, linda, sentada em um trono, saudando seus súditos. E o estádio vai ao delírio, O barulho é ensurdecedor. O calor humano é palpável.

Logo depois a cantora passeia pelo palco com seu RollsRoyce branco, ao som da música “The Beat Goes On”. A platéia já está dominada. Viramos meros fantoches na fábrica de hits da cantora e só aqui, entendemos o porquê dela estar no pop do mundo pop há mais de 20 anos.

Quando ela entona “Into the groove” e pula corda como uma adolescente, nossos nervos já estão em frangalhos. Parece que fui nocauteado, assim como os bailarinos que brincam no ringue na frente do palco. Ah, ela ainda canta uma das minhas músicas favoritas, “Human Nature” e, no fundo, um vídeo da Britney Spears se debatendo dentro de um elevador. Ao final, ela simplesmente fala: “It´s Britney, bitch!” - catártico!

O show tem excelentes momentos mas os dois que mais me arrepiaram foram nas canções “The Devil Wouldn´t Recognize You” e “Like a Prayer”. Na primeira ela surge em cima de um piano, em meio a uma tempestade tecnológica. Na segunda, o coro de mais de 80 mil vozes, que sabe cada palavra da canção, vai me acompanhar para sempre. Nunca vi tamanha comoção com uma música, com uma artista.

O momento fofo foi a música “You Must Love Me”, em que ela canta acompanhada do violão. Mesmo o estranhamento inicial, já que só reconheci a música no refrão, não impediram que nós gritássemos em uníssono: sim, nós te amamos!

Outra parte inesquecível é a Madonna encontrando, no palco, várias encarnações de outras fases suas, e tascando um beijo ovacionadissimo na bailarina vestida como ela própria, mas na fase de “Like a Virgin”. Ela contracenando com a holografia do Justin Timberlake, em “4 Minutes”, também é arrepiante. O que não faz a tecnologia!

Adorei as versões mais rock n´roll de “Hung Up” e “Ray of Light”. O final foi apoteótico, com Madonna cantando “Give 2 Me”. O letreiro “Game Over” anuncia o fim. Foi lindo. Foi verdadeiro. Faltaram inúmeros hits. Teve momentos chatos (a parte espanhola), momentos piegas (quando mostra os líderes mundiais e alguns déspotas, terminando com a imagem do Barak Obama), mas foi inesquecível. Ainda prefiro a fase putona da “Girlie Show”, mas Madonna é Madonna.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sonho de consumo mega blaster...

Até então tratada com indesculpável desleixo pela indústria fonográfica, a discografia de Ney Matogrosso ganha tratamento à altura de sua importância com o lançamento da caixa ‘Camaleão’, que embala 16 álbuns do período 1975-1991 e reúne 21 fonogramas avulsos do cantor na coletânea ‘Pérolas Raras’.

As reedições recuperam o material gráfico dos LPs originais e cada CD traz um texto (escrito pelo jornalista Rodrigo Faour, idealizador da caixa) sobre a história de cada álbum. O acervo pertence a três gravadoras, mas a ediçãode ‘Camaleão’ foi produzida pela Universal Music. Títulos nunca editados em CD como os três primeiros discos individuais de Ney — ‘Água do Céu-Pássaro’ (1975), ‘Bandido’ (1976) e ‘Pecado’ (1977), feitos na extinta Continental — chega no formato digital com som satisfatório, recuperado de cópias de LPs, já que as fitas originais estão deterioradas. Também inédito em CD é ‘Sujeito Estranho’, de 1980.

Outros discos, como o denso ‘Quem Não Vive Tem Medo da Morte (título valioso de 1988), eram raros, pois foram lançados em CD com pequena tiragem na época do lançamento e nunca mais reeditados.Raros ou não, os 17 discos expõem todas as caras de um intérprete de natureza camaleônica.

O repertório de Ney sempre teve alta carga de sexualidade. Basta ouvir ‘Feitiço’, disco de 1978, para detectar a face transgressora do cantor, que apareceu de cara limpa pela primeira vez em ‘Seu Tipo’, álbum de 1979. A maquiagem seria reposta nos esfuziantes discos do começo dos anos 80, ‘Ney Matogrosso’ (1981), ‘Matogrosso’ (1982) ‘... Pois É’ (1983) e ‘Destino de Aventureiro’ (1984).

Transitando entre a MPB e o pop, com atitude roqueira, Ney (quase) sempre driblou as pressões da indústria. Mas não engoliu até hoje a imposição da faixa ‘Calúnias (Telma, Eu Não Sou Gay)’ e, por isso, vetou a inclusão do fonograma na reedição do álbum ‘... Pois É’.

Inclassificável desde sempre, Ney foi de disco pop e eletrônico (‘Bugre’, 1986) a álbum camerístico (‘Pescador de Pérolas’, 1987) que gerou, em linha similar, ‘À Flor da Pele’ (1991), último título da caixa, jóia de obra que resiste bem ao tempo. O ‘Camaleão’ mudou de cores ao longo de 35 anos sem nunca sair do tom.
Após emendas anti-gays terem sido aprovadas nos estados da Califórnia, Arizona, Flórida e Arkansas, gays e lésbicas americanos escolheram 10/12, dia internacional dos direitos humanos, para um protesto chamado "Day Without A Gay".

O slogan da campanha é demais. Ao invés de ligar no seu trabalho dizendo que está doente (call in sick), você liga dizendo que tá gay (call in gay). "Olha sóam, hoje acordei bem gay - tô de cama de tão gay - vou trabalhar não, beijoooo!". Porra, dava até pra eu faltar todo dia com essa desculpa!
A Organização que bolou o protesto está convocando todos os homossexuais americanos a não aparecer no trabalho hoje, não fazer compras e dedicar o dia de hoje para fazer o bem. Por exemplo, se dedicando a um trabalho voluntário.

Mas nem se anime muito em fazer hoje isso aqui no Brasil. Rola um propósito por trás da proposta tentadora de faltar o trabalho com justificativa política: a idéia é mostrar, com um súbito desaparecimento dos homossexuais, a força gay - e a falta que faz seu capital e trabalho - na economia americana.

Se esse protesto vai funcionar a gente só vai saber no final da semana. Mas e aqui no Brasil, a mesma atitude teria APOIO e EFEITO?

Onde há fumaça há fogo!!!

Gente, não é intriga da oposição e nem a minha vontade de dizer que o mundo todo é gay - mas existem pessoas que temos como negar que são enrustidas - todas as evidências estão ali, basta que a gente queira enxergar.
Do gayblog:
Eu tava lendo uma entrevista com o Reynaldo Gianechini, sobre o filme em que ele aparece pelado (informação mais relevante da sinopse), quando a repórter perguntou ao ator se ele tinha ficado excitado durante as filmagens e a resposta foi:

“Ai, minha filha, não me faça pergunta difícil”

Você deve ter acabado de pensar na mesma coisa que eu. A repórter dessa entrevista também, já que essa frase, sozinha, era a chamada para a reportagem. Quantos heterossexuais vocês conhecem que abrem uma frase com a expressão AI-MINHA-FILHA?

Por conta e risco, suprimi algumas partes.

Constrangedor porque, alguém tão obviamente homossexual se fingindo de hétero, é exatamente como se estivesse todo mundo numa mesa, num jantar formal, cercado de pessoas sem muita intimidade e alguém solta um peido sonoro. Todo mundo sabe quem peidou, mas finge que não sabe e aliás, finge até que não reconheceu o peido. Ninguém vai apontar quem peidou num jantar formal, mas também fica aquele grande desconforto em fingir conforto com um peido. Mmmm... Entendem a comparação?
Estaríamos, nós gays, influenciando o modo de falar dos héteros ou vovó estava certa quando dizia que "ONDE HÁ FUMAÇA, HÁ FOGO"?
GENTEM, PELO AMOR DE DEUS, AHHHH PURFAVORRRRRRRRRRRRRR... GIANI (OLHA A INTIMIDADE) SAI LOGO DESSE ARMÁRIO GATO... QUE NINGUÉM MAIS ACREDITA QUE VC CATA MULHER AMOR....

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Yes, nós temos séries de respeito!

Quem reclama da qualidade da nossa TV está vendo as coisas erradas. Que novela das 9, ou Big Brother, ou Luciana Gimenez que nada. Temos produções nacionais maravilhosas que primam pela qualidade estética, de conteúdo, linguagem diferenciada - que deixam muito filme e produções internacionais a ver navios.

Este fim-de-semana, que fiquei de molho, terminei de ver a minissérie Queridos Amigos. Adorei, inclusive o final, que me disseram ter deixado a desejar. Minha personagem favorita continua sendo a Cíntia. Ver deu vontade falar com meus amigos, dizer o quanto os amo, do quanto são importantes na minha vida. Bem diferente do livro - que limita-se ao velório do Léo e à busca do livro que ele teria escrito - a minissérie me envolveu por falar de uma época que eu adoro, ter atores que eu considero exepcionais e trilha sonora fantástica.

Acabou, também nesse fim-de-semana, a macrosérie Alice, da HBO - comprovando a qualidade das produções do canal, sempre ousadas e atuais, como Mandrake, Capadócia e Sex And The City. Amei a protagonista - ela faz um papel meio bobo na novela Chamas da Vida. Mas adorei a entrega da personagem a sua nova vida em São Paulo, aos amigos e à nova família que fez. Achei uma celebração a vida, ao amor e a redenção.
O diretor Luiz Fernando Carvalho conseguiu mais uma vez fazer uma obra notável e bela, com a macrosérie Capitu. "Capitu" começou com uma viagem de trem que percorria a cidade do Rio de Janeiro moderna e a do século 19 sob uma trilha sonora inusitada: um solo distorcido de guitarra. Essas cenas se fundiram e dois personagens de época surgiram na tela conversando em um trem grafitado.

Era a senha para desvendar a estética do seriado: o moderno e o antigo se fundiriam para contar, na TV, um dos maiores clássicos da literatura brasileira. Também como em "Hoje É Dia de Maria" e "A Pedra do Reino", o seriado tem um narrador. No caso, a história é contada pela versão adulta e estilizada de Bentinho, interpretado por Michel Melamed. O moderno e o novo também são explorados nas cores do seriado e na trilha sonora. O tom amarelado e sombreado da minissérie - que lembra a estética dos filmes noir - tem o rock como música de fundo.
Escrito por Euclydes Marinho, o roteiro de "Capitu" tem a proposta de ser fiel ao que foi produzido por Machado de Assis. Os diálogos foram preservados e, os episódios, divididos em pequenos capítulos, conforme o livro.

A próxima promessa para quem gosta de programas que subvertem a linguagem em prol de uma boa história é a minissérie Maysa, que a Globo irá lançar em janeiro. Adoro o trabalho do Jayme Monjardim e tenho a certeza que ela fará uma trabalho competente como todos os que já fez, ainda mais em se tratando da história da vida da mãe dele.

domingo, 14 de dezembro de 2008

A bolha em que todos nós - héteros e gays - vivemos

E eu que achava que a minha forma de amar era dolorosa. Acabei de ver o filme The Bubble que conta a história de amor entre um palestino e um israelense. Se achamaos que sofremos preconceito, que não podemos sair de mãos dadas pela rua com nossos amores, trocar carícias e beijos como o resto do planeta faz em público, imagina em meio a guerra?

Em um bairro de Tel Aviv, três jovens israelenses dividem um apartamento: o balconista Noam, Yali, o gerente de um café, e a vendedora Lulu, única hetero do trio. A harmonia do grupo é abalada pela chegada de Ashraf (Yousef Sweid), um palestino que inicia um namoro com Noam. Com a entrada do personagem, o filme amplia seu escopo das questões afetivas para as políticas, como o preconceito e a dificuldade de uma convivência pacífica.

O amor homossexual de Noam e Ashraf é o pano de fundo para ressaltar as incontáveis barreiras que se sobrepõe diante de uma relação homossexual e diante de “inimigos” potenciais. Os conflitos de Ashraf em relação a sua sexualidade, sua família e sua obrigação “sanguínea” falará mais alto. Como se fosse impossível fugirmos das tradições, do destino?

A cultura americana cerca a vida dos jovens idealistas preocupados em realizar uma rave pela paz. Eles também têm seus ídolos americanos, sua versão para o American Idol, visuais modernos e uma visão descolada da realidade. Assim como seus irmãos habitantes da terra do Tio Sam.

Simples e emblemática as cenas se sobrepõe com ritmo, leveza e poesia. Tocante na cena da relação sexual do casal gay. Triste na cena do casamento da irmã de Ashraf. Inevitável no final. Um filme polêmico. Mas como deveria ser a vida de pessoas que vivem regadas por intolerância?
The Bubble tem o mérito de ser um doce e fatal retrato gay de uma sociedade que ainda não se aceita. Como nos guetos homossexuais, onde os indivíduos se discriminam com toques de sadismo. A bolha que cerca Ashraf se mostrou permeável e estourou. Todos nós temos a nossa.

O final do longa, inesperado, é um verdadeiro chute na boca do estômago. Um desfecho que, além das emoções que deflagra, é um convite à reflexão sobre países do mundo onde ser gay é a ponta do iceberg, ou a bolha do título, com um universo muito maior de intolerância gelada por baixo. Estou chocado até agora, sabe aquela sensação de vazio, de dor, de impotência? Vejam e reflitam, se alguém ainda acha que os gays reclamam muito e se fazem de vítima, vejam o filme, e vocês entenderão porque uma Parada ou algo com o qual nos identificamos é tão edificante - passamos por problemas, dúvidas e percalços que nenhum héterossexual irá passar - e isso já basta para amarmos mais e intensamente.

Down em mim

Na semana passada, ouvi uma música no rádio e cheguei a conclusão de que ela me deixa em depressão. A letra, a melodia, o cantor (ai)...tudo!
Se não querem ficar down, não ouçam “A Lista”, do Oswaldo Montenegro.

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

E fica a enquete: qual a música que te deprime?

domingo, 7 de dezembro de 2008

O terror está onde você menos espera

"Happiness, where are you?/I've searched so long for you./Happiness, what are you?/I haven't got a clue."

Os créditos subindo, aquele nó no estômago e a música acima rolando. Diga-se de passagem que nenhuma outra música poderia traduzir tão bem o que o filme Felicidade, de Todd Solondz, nos faz sentir. Um vazio absoluto e um aperto no peito que parece não melhorar nunca.

O filme é uma crítica feroz a todos os seres humanos e sua busca por felicidade. Para compor o seu retrato, o diretor se infiltra no meio de uma família tradicional da classe média americana e de todos aqueles que interagem com os integrantes desta. Ele trata tudo de maneira tão sarcástica que por muitas vezes temos aquela sensação de que vamos rir, mas um riso muito mais nervoso do que divertido.

Um casal com três filhas está se separando, mas não consegue encarar a decisão ("eu falei a palavra divórcio?"). Uma das filhas, Joy, ainda mora com eles e é aquela perdedora típica que não consegue nada de bom para sua vida, por mais que tente mudá-la, e é sempre vista como a fracassada da família.

A bem sucedida é Helen, uma escritora ninfomaníaca que fala de estupro em seus livros sem nunca ter sido estuprada. Ela acaba atraindo a atenção de Allen, um vizinho solitário que gosta muito, vamos dizer assim, de trotes telefônicos. Este, por sua vez, desperta a atenção de outra vizinha, a excluída e cheia de segredos Hope.

A terceira filha é a sempre sorridente Trish. Ela é casada e tem dois filhos com Bill, um psiquiatra pedófilo que não consegue resistir aos amigos pré-adolescentes de seu filho mais velho. Bill, além de sonhar constantemente com um massacre no parque, atende profissionalmente Allen e dá conselhos informais aos amigos.

Em meio a tantas histórias, a infelicidade vai marcando o seu lugar na trama, mas tudo de maneira irônica. Claro que é a pedofilia que acaba doendo mais fundo e provocando mais nojo no espectador. O pervertido, otimamente interpretado por Dylan Baker, além do sorrisinho no rosto, sempre tem uma resposta dúbia para dar.

A trilha sonora feliz e animada reforça a cruel ironia de Todd Solondz ao mexer com o lixo. O mesmo pode ser dito da fotografia clara e colorida da francesa Maryse Alberti.

O filme é cruel e trata de assuntos que preferiríamos ignorar durante toda a nossa vida. Por mais que eles aconteçam, embaixo dos nossos narizes, fingimos não enxergar.

Palmas para o diretor que de maneira corajosa conseguiu transmitir exatamente essa falta de percepção. Enquanto alguém faz uma maldade, quem está perto ouve bossa-nova, conversa sobre coisas frívolas e sorri sem vontade.

Palmas também para Dylan Baker, que deu vida a um dos personagens mais horrorosos que eu já vi no cinema.

Difícil e indigesto, o filme tem que ser conhecido. Muitas cenas incomodam profundamente, mas o jogo do diretor é muito interessante. Um jeito bem diferente de falar das mazelas de uma sociedade.

sábado, 6 de dezembro de 2008

nova paixão: Paula Lima

Simplesmente maravilhosa. Confesso que nunca havia parado para ouvir as músicas de Paula Lima, nem mesmo na fase do Funk Como Le Gusta. Há uns dois meses baixei os 3 cds dela, ótimos por sinal. Amei, particularmente, o último. E ontem comprei o DVD. Só posso dizer que depois de ter visto esse show sou um ser humano melhor e mais feliz. Salve Paula Lima. A Pabla disse que adora os meus exageros, mas sou assim quando ouço ou vejo alvo que me faz bem pra alma. Então lá vai: Paula Lima você é minha nova deusa, amei seus cabeloas, sua voz, seu repertório, seu carisma, sua felicidade, sua entrega, sua paixão, seu tesão... e ainda tem, de lambuja, a rainha Dona Ivone Lara. Momento arrepio: a linda cantando Jorge da Capadócia do Caetano... estou com um baita sorriso até agora.

Vai aqui um trechinho da letra da música atual da minha vida:

"Tirou onda do meu coração
Brincou com a minha paixão
Agora me pede perdão
Não vou dá!Não dou não!
Sem rumo e sem direção
Navega no mar da ilusão
É tarde demais prá voltar
Tirou onda!"

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Pelada No Palco



Galera, lí e adorei um texto de memórias muito engraçadas da Diablo Cody na revista PIAUÍ e compartilho aqui com vocês. 

Eu nunca havia andado de moto nem feito aborto, terminara a faculdade em oito semestres certinhos e jamais roubara batom numa loja bacana. Eu era um saco, queridos. Podia sentir meu fogo apagando. Minha crise dos 25 anos pesou no estômago como um cheeseburger duplo. Essa é uma das razões para ter me dedicado ao strip-tease. 

Em janeiro de 2003, quando tinha 24 anos e estava cheia da cidade grande, me mudei de Chicago para Minneapolis. Como muitos corações solitários, tinha conhecido meu namorado Jonny na “perda de tempo mundial”, ou seja, na internet (especificamente num site sobre a fase psicodélica dos Beach Boys e a subseqüente derrocada do Brian Wilson rumo à terapia radical e todo aquele drama). Nosso namoro floresceu para o mundo real quando Jonny, do nada, me mandou um e-mail bastante curioso.

Ele tinha uma maravilhosa gravação pirata dos Beach Boys, um raro fragmento instrumental da música I’m in Great Shape, do final de 1966. Apenas uma elite de gordos que não compartilha nada com ninguém tivera acesso à gravação, mas Jonny galantemente a ofereceu para mim como se fosse uma gardênia sonora. Como uma virgem poderia resistir àquele vinil? Aceitei o símbolo de amor nerd com um desmaio devidamente criptografado e protegido de vírus cibernéticos, e um romance acabava de nascer.  Imediatamente, atirei meu namorado da época no fundo do poço com a força de um tiro de bazuca. Logo enviávamos um ao outro fitas de músicas extremamente confessionais (nada simboliza melhor o amor verdadeiro do que fitas cassetes cinzentas com os nomes das músicas escritos à mão). Atendendo a pedidos, Jonny me mandou fotos dele, com sua esposa simpaticamente retirada de cada uma por meio do Photoshop.

Eu juntava contas de telefone que se desdobravam longamente como a Carta Magna e tocavam o chão da mesma forma que o meu queixo caído de espanto.  Quando um encontro ao vivo pareceu urgente, decidimos viajar separadamente para Los Angeles e nos encontrar no Whisky a Go Go, como verdadeiros roqueiros metidos a besta. Em pânico, tive uma crise de coceira segundos antes do horário marcado para o nosso encontro. Felizmente, Jonny nem ligou para o meu rosto coçando e cheio de bolinhas e olhou direto para os meus peitos. Passamos o resto do dia passeando por Hollywood, entornando cerveja mexicana, de mãos dadas, nossas palmas pegajosas grudadas de suor. Foi um primeiro encontro para entrar na história, culminando com os dois pelados e frenéticos na cama de um quarto de hotel em Marina del Rey. 

Minha mãe, justificadamente neurótica com a idéia de que eu ia cruzar o país para me encontrar com um estranho, previu que receberia em casa um corpo morto num saco. Mas eu trouxe de volta um corpo, simplesmente um corpo muito bom no que fazia. Jonny era incrível, legal, nota dez, material de primeira. Meu coração e meus órgãos genitais emitiram um decreto determinando que eu me mudasse imediatamente para onde Jonny morava, Minnesota.  Assim, eu logo estava dirigindo uma van por vários estados, parando só para comer galinha frita engordurada em restaurantes de beira de estrada. Não estava deixando muita coisa para trás, a não ser um emprego de baixo nível num escritório de advocacia prestes a falir, no qual uma mulher reprimida chamada Louanne me fazia arquivar coisas. Meus pais ficaram desconcertados com a mudança, mas eu tinha que me mandar. O amor é misterioso e foda, como dizia o vocalista do Journey, Steve Perry.  Quando cheguei, me mudei para o condomínio de subúrbio em estilo colonial de Jonny, que parecia uma Casa Branca em versão piorada.

No apartamento, as paredes eram brancas, os eletrodomésticos eram brancos, os ruídos eram brancos e o carpete era da cor de areia virgem. Em Chicago, eu vivia num prédio zoneado e sem elevador, perto de um bar e de um centro de recuperação de jovens assassinos. Minha nova locação, ao contrário, era tão silenciosa que dava para ouvir uma agulha caindo.  Em Minnesota eu poderia ser a garota mais anônima do mundo. Se quisesse, poderia me reinventar e virar campeã de hóquei. Poderia usar gravatas como as dos mafiosos e carregar um cachorrinho de madame pela cidade. Poderia mudar meu nome para Lynn, ficar bulímica e vomitar barras de cereal dietéticas nas latas de lixo. Parecia mágica! Eu tinha me apagado, como aquela cantora Lisa Loeb faz naquele clipe supergay.  Depois de passar dois dias vagando pela cidade sem falar com ninguém, consegui trabalho como digitadora numa agência de publicidade que parecia o cená-rio de um filme do Kubrick, com paredes cobertas de aço escovado e aparelhos de televisão.

Enquanto preenchia pilhas de papel com roteiros de propagandas de rádio imbecis (correções eram proibidas), via a neve caindo pela minha janela no 26º andar. Os flocos caíam tão rapidamente da camada cinzenta de nuvens que eles não pareciam subir ou descer. Apelidei Minneapolis de “Cidade Branca”.  Eu até gostava da agência de publicidade. Alguns dos benefícios de se trabalhar lá eram: grande variedade de chás normais e descafeinados, incluindo os sabores maçã e chá preto com laranja; conexão de internet de primeira, rápida como um coelho; um excelente Porn Shui.  Meu amor da internet, Jonny, tinha grandes esperanças de que eu fosse bem-sucedida em Minneapolis. Por isso, me senti meio mal quando peguei uma espécie de gripe mutante letal depois de apenas uma semana na Cidade Branca. Como o vírus atacou minhas pernas, tinha que me arrastar com a ajuda dos braços pelo nosso apartamento alugado e vazio. Quando finalmente voltei ao trabalho, ainda não tinha parado de mancar. Enquanto capengava da minha mesa até a copiadora, as pessoas me olhavam como se perguntassem: “Quem contratou a aleijada?” 

 Por outro lado, as primeiras semanas na minha nova casa foram radiantes e recompensadoras. Eu fazia jantares cafonas, como fondue ou carne assada queimada, enquanto Jonny (um velho habitué do rock local)
tirava sons estridentes de sua guitarra Epiphone vermelha. A filha de três anos de Jonny, uma larva precoce com covinhas de celebridade infantil, dormia lá em casa algumas noites por semana e, no começo, parecia tranqüila com a minha repentina inclusão em sua família partida. Quando eu estava sozinha em casa, tentava obstinadamente terminar o terrível romance que estava escrevendo desde o começo da faculdade.  Inspirada pelos talentos musicais de Jonny, tentei aprender a tocar baixo, mas, quando finalmente fiz um teste para uma banda de eletropop, os membros do grupo me olharam como se eu estivesse peidando o tema de Mahogany, aquele filme brega com a Diana Ross.

Fiquei chateada com a rejeição, e meu baixo rapidamente adquiriu uma grossa camada de poeira, o que foi realmente uma merda, porque eu queria ter uma presença de palco como a da Kim Gordon, do Sonic Youth, ou da Kim Deal, dos Pixies, ou de qualquer baixista de cabelos lisos escorridos chamada Kim que tenha sido minha heroína na adolescência. Naquela época, não sabia que acabaria mostrando o dedo do meio para o público inúmeras vezes, ainda que em circunstâncias diferentes das que eu imaginara.  Olhando para trás, eu tive uma bela vida. Foi uma existência digamos nota oito (dois pontos a menos pelo clima de merda e pela gripe mortal). Ainda assim, me sentia inquieta, procurando agitação desesperadamente, como uma criança que rouba um gole do vinho da mãe. Estava chegando ao lado negro dos meus 20 anos, mas não parava de me mexer, ainda me sentia uma adolescente com formigas na calcinha. A grande mudança para Minneapolis tinha provocado uma espécie de azia psicológica, e sentia como se me tivessem oferecido uma última oportunidade de fazer uma loucura sem ter que lidar com as conseqüências da vida adulta.  Eu disse “última” porque sempre fui um ser humano do sexo feminino bem-comportado. As provas: nunca havia andado de moto, nem naquelas japonesas fraquinhas.

Nunca havia engravidado por acidente ou feito um aborto. Recebi cada um dos sacramentos, com exceção do matrimônio e da extrema-unção. Terminei a faculdade em oito semestres certinhos (com uma crise nervosa em cada um). Nunca joguei bebida na cara de alguém no meio de um porre. Nunca furtei batom numa loja bacana. Eu era um saco, queridos. Podia sentir meu fogo apagando. Minha crise dos 25 anos pesou no estômago como um cheeseburger duplo. Acho que essa é uma das razões por ter acabado seminua numa boate como a Skyway Lounge.  Uma noite, no finalzinho do inverno, estava me arrastando para o ponto de ônibus depois de mais um dia entediante na agência como uma esplêndida digitadorazinha de merda. Passei por um desses bares enfurnados em que as garçonetes trabalham com os peitos de fora, e prestei atenção na marquise, onde normalmente estava escrito: “Noite Amadora $200” (e, às vezes, “cidade da diversão”, do que eu discordava). Eu tinha a tendência a passar correndo em frente ao Skyway Lounge, como se sua aura molecular pudesse me contaminar incuravelmente com piolhos genitais.  A frase “Noite Amadora” (relacionada ao strip-tease) sempre formou uma imagem específica na minha cabeça: eu via uma bêbada de pernas tortas cambaleando pelo palco da boate, com sapatos altos e surrados de dama de honra, enquanto o marido a estimula com um maço de cigarros light: “Vamos lá, querida! Seus cigarros estão aqui! Só mais uns passos e as duzentas pratas são nossas!”

Stripper é uma profissão que parece superglamorosa, mas a idéia de tirar a roupa no circuito amador me desesperava tanto quanto uma cidadezinha do interior do Texas. Ainda assim, eu estava curiosa.  Só havia entrado num bar de strip uma vez, em Chicago. Era um estabelecimento que não podia vender bebidas alcoólicas, sombrio e sem graça, dirigido pela máfia russa. Senti pena das garotas perambulando de mesa em mesa, suas bocas abertas em semi-sorrisos, como belos cadáveres. Meu companheiro e eu compramos uma lap dance cada um, aquele lance em que as garotas dançam e se esfregam diretamente no cliente, e trocamos cômicos olhares de animação e pânico enquanto as strip-pers giravam passivamente sobre nossas virilhas. Minha stripper, uma garota andrógina de cabelos raspados e vestido de vinil, era uma fonte indiferente e ineficiente de calor. Quando ela se inclinou para a frente e abriu a bunda para me mostrar o olho do cu, eu disse: “Gostei das suas botas.”

Desde então, a experiência ficou gravada na minha tenra cabecinha, e tentei me imaginar nua naquele salão cheio de espelhos e com cheiro de bunda. Eu não conseguia. Eu era uma legítima idiota.  Suponha que eu conseguisse reunir um pouco de desembaraço e entrasse no Skyway Lounge: mesmo se tivesse coragem para tirar a roupa por diversão, sabia que teria que dar satisfações a um pequeno, mas reprovador círculo social feminino. A maioria das garotas que eu conhecia odiava strippers com a mesma fúria reservada a estupradores em série. Elas usavam “stripper” como um adjetivo para desprezar qualquer coisa estúpida, nojenta ou repugnante. Por exemplo: “Esses sapatos são coisa de stripper, Jen.” Ou: “Kyle me dispensou por alguma puta stripper que faz compras em lojas de varejo.” Uma garota típica do meu grupo preferiria tirar as cutículas com gilete a permitir que seu parceiro fosse associado a garotas peladas. Essa paranóia era reforçada por histórias sensacionais de namorados que tiveram seus membros emporcalhados por strippers. Pouco importava se aquilo fora pago, e feito de livre e espontânea vontade: era culpa exclusiva da stripper ousar divertir um pênis que havia sido tão difícil de ser conquistado por outra garota.  Nunca tive essa hostilidade em relação às strippers. Elas eram simplesmente as dançarinas de outrora, as garotas dos bares de hoje em dia, com superpeitos. Como ouvira falar que as strippers eram bem pagas, achava difícil acreditar que tivessem interesse em roubar o namorado, o marido ou o caso de alguém. Para mim, as strippers, mesmo as...


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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Vi e recomendo

O texto é de Caio Fernando Abreu e trata do envolvimento de dois colegas de uma repartição pública. São "Aqueles Dois" que poderia ser qualquer um. Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves e Rômulo Braga dão vida aos dois personagens do conto homônimo de Abreu no qual a montagem se inspirou. Em cartaz no Sesc São Paulo, R$ 20. O espetáculo é belíssimo.

Os atores se revezem na interpretação de Raul e Saul, personagens de Aqueles Dois, explicitando a possibilidade dos fatos aos quais eles estão submetidos poder acontecer com qualquer pessoa. O envolvimento dos dois amigos causa inveja nos demais colegas de trabalho. Assim, eles acabam sendo demitidos em nome da moral e dos bons costumes, defendidos pelo chefe de ambos.

O cenário remete a uma repartição pública, com suas gavetas, telefones e máquinas de escrever, mas também lembra a casa de um homem solteiro, que ganha o suficiente para sobreviver e mora sozinho numa cidade grande. O figurino é bastante funcional. E a iluminação, com iluminarias de mesa, acompanha a concepção criativa que norteia o espetáculo.

Numa espécie de arena, com o público disposto nos três lados, os atores, apresentando uma segurança e uma presença cênica impressionantes, desenvolvem um belo trabalho de corpo, enquanto vão contando, cantando, desenhando, lendo e interpretando a história dos dois rapazes que se encontram e se reconhecem num ambiente “deserto de almas também desertas”.
Pleno de criatividade, com um humor inteligente e sutil, além de uma sensualidade discreta, Aqueles Dois transforma os acontecimentos banais em poesia, além de apresentar o conflito da inveja humana que se incomoda com a felicidade alheia.
"Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde".
"Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras".

Vontade de comprar...

Paula Lima surge lindamente vestida de verde para desfilar seu suingue e – por que não? – improvisar, chamando o público para entrar no ritmo da festa. Deu certo. “Precisava passar essa liberdade que tenho nos shows. Sinto sempre frieza nos DVDs. O resultado deste é quente, reproduz exatamente o que ocorre no show”, compara ela, que contou com a parceria dos diretores Bruno Murtinho e Gian Carlo Belloti para levar adiante o projeto. A intenção, desde o início, foi aproveitar o projeto para contar um pouco da própria história. “Cresci ouvindo samba, aos 4 anos já escutava Martinho da Vila. Com 6, imitava Alcione e, aos 13, descobri Benjor. Adolescente, ouvia Michael Jackson e, depois dos 20, descobri o jazz e o soul.”

O repertório do DVD reúne todas essas influências. Paula Lima pinçou do primeiro disco canções como Quero ver você no baile (Seu Jorge e Gabriel Moura), Sai daqui tristeza (Max Viana) e É isso aí (Sidney Miller). Do segundo CD, trouxe Meu guarda-chuva (Jorge Benjor) e Gafieira S/A (Seu Jorge). Do disco Sinceramente trouxe Já pedi pra você parar (Arlindo Cruz e Babi), Tudo certo ou tudo errado (Arlindo Cruz e Maurição) e Negras perucas (Marcus Vinicius e Nilo Pinheiro), esta última com participação especial de Toni Garrido. Do repertório da dupla Ana Carolina e Antônio Villeroy foi buscar Eu já notei. “A intenção foi fazer um apanhado dos meus hits, acoplando músicas de que sempre gostei, como Jorge da Capadócia, que acabei transformando em espécie de oração, e outras como Deixa isto pra lá, com a qual me divirto muito.”

A inédita Samba sem nenhum problema (Márcio Local), de alguma forma, resume o projeto. “Trata das coisas importantes que se destacam no Brasil.”Gravado durante apresentação em agosto, na Casa das Caldeiras, em São Paulo, o DVD mistura todas as influências da intérprete: jazz, funk e soul mesclado aos elementos sonoros das guitarras distorcidas e à percussão, que, como ela diz, “pensa o samba com tempero de hip hip e drum’n’bass e pianos cheios de efeitos”. “Queria tirar essa imagem banquinho e violão. Não é o que mais me diverte. Gosto de palco, de gente, preciso de espaço. É o que faz meu sangue ferver”, resume ela, que não se considera sambista, mas se declara, como boa brasileira, fã do gênero. Nada mal para quem cresceu ouvindo samba, estudou piano clássico dos 7 aos 17 anos e tomou, para alegria dos fãs, gosto pelas mais variadas sonoridades de influências negras.

Vontade de ouvir...

Tenho uma certa relutância com o som do Marcelo D2. Mas fiquei interessado nesse cd, apenas pelas parcerias...

O rapper carioca mudou o discurso. A pegada do som dessa vez chega diferente, deixando de lado um pouco mais o samba, a bossa nova e liquidificando a congada, o funk o afropunk e até o lounge. A Arte do Barulho chacoalha não só ritmos como também vozes. Cada faixa do disco conta com uma parceria diferente, trazendo mais melodia em cada sample mixado às letras incisivas do rapper.

Sobre a pele de D2, alguns riscos marcam o rosto do ídolo Bezerra da Silva. A tatuagem reafirma seu apreço pelo samba e ele diz que o ritmo não desapareceu do seu último trabalho e está presente, sim, ainda que de forma tímida. A faixa Desabafo anuncia essa pitada de samba, trazendo o sample de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza, gravado pela cantora Cláudia, em 1973. A guitarra ganhou mais espaço nesse disco, relembrando os tempos de Planet Hemp.

Quanto ao grande número de parceiros presentes no disco, D2 conta que aconteceu tudo de forma natural. O único passo planejado foi a presença de voz feminina, antigo desejo seu. Algumas parcerias aconteceram de forma inusitada, como a gravação da faixa com a cantora Zuzuca Poderosa. O funk presente em Meu Tambor traz o vozeirão da carioca que mora em Nova York, que cruzou com Marcelo D2 no espaço virtual do Myspace.

Outro destaque do CD, é a faixa Minha Missão, que conta com a parceria de Roberta Sá, voz que D2 descobriu recentemente. A cadência do lounge entoado pela voz de Roberta acalma os ânimos da Arte do Barulho. Ao longo do disco, o amigo e padrinho de sua filha, Seu Jorge, Talma de Freitas, Mariana Aydar, o americano Medaphor, além do seu filho Stephan participam das canções e mixagens de D2.

Já baixei mas ainda não tive tempo de ouvir...

Acabou Chorare.....complemento!


Para complementar o post da Anitcha!

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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O filme da minha vida

Revi, há alguns dia, o filme Magnólia, e percebi que, esse é o filme da minha vida. Absolutamente perfeito em todos os sentidos e me evoca sensações que tento esconder.

Depois de surpreender cinéfilos de todo o mundo com o brilhante Boogie Nights, o jovem diretor Paul Thomas Anderson tinha um belo desafio pela frente: como fazer jus às expectativas de seus fãs recém-conquistados, que aguardavam seu novo trabalho com ávida ansiedade? A maneira encontrada foi inusitada: Anderson inspirou-se em várias músicas de uma amiga, a cantora Aimee Mann, para escrever um roteiro absolutamente inovador e incrivelmente complexo, que seguia os acontecimentos da vida de nove pessoas durante um período de 24 horas na cidade de Los Angeles.

Apesar de ser comparado por alguns à Short Cuts, de Robert Altman, Magnólia prova sua originalidade logo em sua seqüência inicial, que de maneira engenhosa e criativa aborda três interessantes narrativas (supostamente reais) de mortes que envolveram coincidências inacreditáveis. A partir daí, o filme mergulha na vida de seus personagens, criando na platéia uma intensa expectativa de descobrir como todos serão inter-relacionados no final da trama.

Talvez a maior proeza de Paul Thomas Anderson em Magnólia seja sua capacidade de fazer com que o espectador se envolva com todas as figuras que cruzam a tela sem provocar um nó na cabeça de quem assiste ao filme. Intercalando as diversas tramas, o diretor consegue manter um ritmo constante enquanto desenvolve paralelamente as situações vividas por seus personagens. Assim, ao mesmo tempo em que acompanhamos o sofrimento do paciente de câncer terminal Earl Partridge, descobrimos que a esposa deste vem mergulhando em uma cruzada de auto-destruição por julgar-se culpada por suas traições. Neste meio-tempo, conhecemos Frank T.J. Mackey, um mestre da auto-ajuda que ensina homens inseguros a levar mulheres para a cama. No entanto, logo somos informados de que Frank é, na verdade, filho de Earl, que incumbe seu enfermeiro Phil de encontrá-lo. Além disso, há Jimmy Gator, o apresentador de um jogo de perguntas protagonizado por crianças-prodígio - entre elas, o pequeno Stanley, sempre pressionado pelo pai, Rick. Gator, por sua vez, é pai de Claudia, uma jovem viciada que saiu de casa há dez anos e que acaba de conhecer o sensível policial Jim Kurring. E não podemos nos esquecer de Donnie Smith, que em sua infância foi um dos grandes astros do programa de Gator... e isto é apenas o começo.

Muitas foram as pessoas que condenaram Magnólia em função de uma inesperada reviravolta que acontece na meia hora final de projeção. Para estas pessoas, o filme se torna ilógico e até mesmo insuportavelmente surreal a partir do momento em que os personagens da história são surpreendidos por uma intensa chuva... de sapos!

Quando assisti a este filme pela primeira vez, interpretei a chuva de sapos como uma metáfora para o 'acaso' - aquele fator inesperado que pode alterar o curso da vida de qualquer pessoa: um acidente, uma briga, a descoberta de uma marca de batom no colarinho, um pneu furado... O que me levava a esta análise era a seqüência de abertura do filme, que abordava as incríveis coincidências que ocorriam a todo instante por todo o planeta. Pensem nisso: uma pessoa está passando em frente a um shopping center quando, de repente, sente fome e decide comer algo na praça de alimentação do lugar. Momentos depois, uma explosão provocada por um vazamento de gás acontece e ela morre. Ou - para citarmos outro trágico caso real - uma garota caminha tranqüilamente pela Avenida Paulista quando, para seu infortúnio, um guindaste despenca de uma altura de mais de vinte andares, atingindo o chão no exato momento em que ela passava no local. Para mim, a 'chuva de sapos' representava a explosão de gás ou o guindaste. Um infortúnio. O acaso.

No entanto, depois de assistir Magnólia mais duas vezes, compreendo que estava equivocado. Há uma outra interpretação muito mais complexa, interessante e simbólica para a famosa chuva do filme. Na verdade, a pista inicial que me levou a esta análise partiu da observação de um curioso cartaz na cena em que o programa de Jimmy Gator está prestes a começar. Carregado por um membro da platéia do show, o cartaz traz a inscrição 'Êxodo 8:2'. Uma rápida consulta à Bíblia revela o seguinte versículo: "Mas se recusares a deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos".
Interessante? Pois a coisa fica ainda melhor quando paramos para analisar os resultados da chuva em si. Segundos antes dela acontecer, todos os personagens do filme atingiram seus próprios limites: Donnie Smith está prestes a ser preso por Jim (que, por sua vez, acaba de perder Claudia); Jimmy Gator resolve se matar depois de confessar para Rose que molestou a filha; Stanley se isola na biblioteca para fugir da opressão do pai; Frank passa pelo conflito de ver o pai (que pensava odiar) à beira da morte; e, finalmente, Claudia se entrega novamente ao vício. Todos parecem perdidos, solitários e tristes.

É então que Frank T.J. Mackey grita para o pai: "Não se vá! Não se vá!". Lembre-se novamente de Êxodo 8:2: "Mas se recusares a deixá-lo ir, eis que ferirei com rãs todos os teus termos".

Em resposta ao pedido de Mackey, a chuva começa e, de certa forma, traz a redenção para todos: Donnie é atingido por um sapo e quebra os dentes (o que finalmente o leva a compreender sua própria capacidade de amar - além, é claro, de agora realmente precisar de aparelho); Claudia se reencontra com a mãe; Jimmy não consegue se matar, atingindo o aparelho de televisão (outra interessante metáfora, já que sua vida na TV o levou aos excessos que o condenaram); Frank e o pai se reencontram pela última vez (Earl acorda com o barulho da chuva); Kurring decide procurar Claudia ao recuperar sua confiança (e sua arma); e Stanley decide pedir ao pai que o 'trate melhor'.

Já o enfermeiro Phil Parma, sendo o único personagem estável do filme, presencia tudo com espanto, já que não precisa daquilo para resolver seus conflitos. Não é à toa que ele é o único a dizer alguma coisa com relação à chuva de sapos.

Não é maravilhoso ser levado por um filme desta maneira?

Não sonho mais...

Pabla, vou chupinhar a sua idéia e escrever sobre um disco que, para mim, é mais do que essencial. É engraçado como músicas que você escuta desde que nasceu ganham um novo sentido em determinada fase da “Vida”. Ou será que é a vida que ganha um novo sentido em determinada fase da música?

No meu caso, vida e música sempre fizeram sentido. E mesmo quando o momento que a gente vive parece não ter o menor sentido, sempre existe uma música pra ele. Mesmo que seja necessário se afastar dela para que tudo volte a fazer sentido.

E, tirando o pó do bom e velho “Vida” da prateleira, eu tirei o pó - também - das velhas interpretações. E redescobri que é melhor sofrer em dó menor do que sofrer calado, cantar uma alegria e cantar mais, chorar até ficar de mal de você mesmo, rolar no leito engolindo água e constatar que tudo já passou.

De todas as maneiras que há de amar, Chico fazia há quase 30 anos os versos que todo mundo gostaria de já ter feito um dia. E é muito bom ter o respaldo de um gênio como ele pra poder cantar a plenos pulmões a pressa do nosso coração desandando a bater desvairado.

Não conseguiria escolher, dentre a vasta obra do Chico, um cd apenas. Mas "Vida", de 1980, é o cd que está no meu mp3 agora. A começar pela canção-titulo, "Arranca, vida / Estufa, veia / E pulsa, pulsa, pulsa / Pulsa, pulsa mais", um petardo que fez diferença em muitos momentos angustiantes da minha existência. Depois vem a doce "Mar e Lua", em que o autor demonstra, mais uma vez, a sua veia pelo eu feminino, narrando as desventuras amorosas entre duas mulheres, "Amaram o amor urgente / As bocas salgadas pela maresia / As costas lanhadas pela tempestade / (...) /Amavam o amor proibido / Pois hoje é sabido / Todo mundo conta /Que uma andava tonta / Grávida de lua / E outra andava nua / Ávida de mar". Seguem os sambas "Deixa a Menina" e "Já Passou", deliciosos. Vem a hipnótica "Bastidores" e a belíssima "Qualquer Canção".

"E se, de repente / A gente não sentisse / A dor que a gente finge / E sente", entoa Chico em "Fantasia". E vem a música "Eu te Amo", dueto com Telma Costa, e uma das mais belas músicas já compostas em toda a história da humanidade (sem exageros), quem não se emociona ao ouvir: "Ah, se já perdemos a noção da hora / Se juntos já jogamos tudo fora / Me conta agora como hei de partir / Se, ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios / Rompi com o mundo, queimei meus navios / Me diz pra onde é que inda posso ir".

O disco impecável ainda nos presenteia com "De todas as maneiras", "Morena de Angola", "Bye, Bye Brasil" e fecha com a apoteótica "Não sonho Mais", dona dos versos, "Pois eu sonhei contigo / E caí da cama / Ai, amor, não briga / Ai, não me castiga / Ai, diz que me ama / E eu não sonho mais".

Depois desse disco o que queremos é sonhar cada vez mais e agradecer aos céus por nos ter presenteado com esse compositor maravilhoso.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Esquentai vossos pandeiros

O gosto pelos sons típicos do Brasil afloraram em mim na época da faculdade, graças às aulas de estética e cultura de massa, em que aprendi que música boa não tem rótulo – daí a diferença entre preconceito musical e preferências.
Não sei explicar de forma teórica – o Blekic, como músico formado que é, pode fazer isso melhor do que ninguém – mas posso dizer que, hoje (de ouvido), sei bem qual a diferença entre o samba e o pagode, e as demais vertentes desse ritmo tão nosso. E é por causa desse entendimento que tenho gabarito (alguns podem entender como coragem), de dizer que prefiro o samba ao pagode. Só de dizer que prefiro o samba já é um grande feito, não para mim, mas para os preconceituosos musicais que não sabem distinguir a diferença entre o preconceito e a preferência....Ah! mas não quero aprofundar esse assunto, não é por isso que estou aqui, rs! Creio na evolução das pessoas!


Enfim, dei toda essa volta só para contar pra vocês qual o som que tá rolando no meu som: Acabou Chorare – uma obra-prima (segundo muitos outros mais entendidos que eu, que não entendo nada) gravada em 1972 pelos Novos Baianos. Que delícia!

Na verdade, meu flerte com os integrantes do grupo começou há uns 20 anos, quando eu imitava a Baby Consuelo – já em carreira solo – cantando “Menino do Rio”, do Caetano. Essa preferência só ficou guardadinha dentro de mim, hibernando por uns bons anos, até que eu sacasse o que realmente gosto.
Os Novos Baianos marcaram época. Em pouco tempo de vida, o conjunto soube fazer uma mistura bem boa de rock, bossa nova, choro e frevo, o que comprovou a influência tropicalista dos seus músicos – os hoje tão conhecidos por nós (mas com passado desconhecido por muitos) Moraes Moreira, Pepeu Gomes, a Baby (que agora é do Brasil), Paulinho Boca de Cantor e Galvão.
Indico que além do disco, conheçam também a história dessa banda. Em algumas leituras que fiz, em livros dedicados à história da Música Popular Brasileira, dá pra perceber que Novos Baianos foi a genuína banda alternativa, bem diferente do conceito de “alternativo” que a molecada usa hoje. Para os Novos Baianos, alternativo era o estilo de vida que levavam, em uma verdadeira “sociedade alternativa”. Os músicos viviam com suas famílias (mulheres, filhos, cachorros, papagaios..) em uma grande casa no Rio de Janeiro, onde dormiam em redes instaladas nos cômodos ou em barracas, armadas pelo quintal. Para terem uma idéia, a capa de “Acabou Chorare” é uma foto do acampamento da banda, retrato fiel do modo de vida que tinham.





“Mistério do Planeta” é o meu xodó, um tipo de auto-descrição. Mas sempre me arrepio quando ouço “Brasil Pandeiro”, de Assis Valente, esta sim, uma canção digna de ser hino nacional do país (Oh, meu Brasil! Esquentai vossos pandeiros, iluminai os terreiros, que nós queremos sambar). “Preta Pretinha” dispensa apresentações, mas, talvez, os solos de guitarra e as passagens da música (se é que se diz assim) mereçam mais atenção dos ouvidos seletivos. A letra de “Besta é Tu” é curta e grossa, porém, forte o suficiente pra fazer a gente botar a mão na consciência e, definitivamente, viver nesse mundo (se não há outro mundo!). “Swing de Campo Grande” não poderia ter sido interpretada por outra voz, senão a do Paulinho. Ouçam e me digam se minto. Baby contagia quando canta “Tinindo Trincando” e “A menina dança”, e a instrumental “Um bilhete pra Didi” é o atestado da qualidade musical do disco.

Bom, argumentos não faltam para que, pelo menos, baixem uma das músicas do disco e conheçam o som – claro, se não tiverem, assim como eu, a necessidade de ter o encarte e todos os apetrechos de um disco em mãos.
E faço votos para que o grupo entre na sua lista de preferências, sejam elas musicais ou não!

UPDATE: Ora, pois! Esqueci de comentar sobre a canção-título do disco, "Acabou Chorare": meus filhos ouvirão Novos Baianos!

Por Ana Paula Florentino.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

17 anos sem ele...


Freddie Mercury, nome artístico de Farokh Bommi Bulsara, (Zanzibar, 5 de Setembro de 1946Londres, 24 de novembro de 1991) foi o vocalista da banda de rock britânica Queen. É considerado pelos críticos[1][2] e por diversas votações populares[3][4] como um dos melhores cantores de sempre e com uma das vozes mais conhecidas do mundo.

Freddie Mercury nasceu na cidade de Stone Town, na ilha Zanzibar, à época colônia britânica, hoje pertencente à Tanzânia, na África Oriental. Seus pais, Bomi Bulsara e Jer Bulsara, eram indianos de etnia persa. Mercury foi educado na St. Peter Boarding School, uma escola inglesa perto de Mumbai, na Índia, onde deu seus primeiros passos no âmbito da canção, ao ter aulas de piano. Foi na escola que ele começou a ser chamado "Freddie" e, com o tempo até os seus pais passaram a chamá-lo assim.
Depois de se formar em sua terra natal, Mercury e família mudaram-se em 1964 para a Inglaterra devido a uma revolução iniciada em Zanzibar. Ele tinha dezoito anos. Lá diplomou-se em "Design Gráfico e Artístico" na Ealing Art College, seguindo os passos de Pete Townshend. Este conhecimento mostrar-se-ia útil depois de Freddie projetar o famoso símbolo da banda.
Algo que poucos fãs sabem é que na escola de artes em que se bacharelou, Freddie era conhecido como um aluno exemplar e muito quieto. Tinha uma personalidade bastante introspectiva. Concluiu os exames finais do curso com conceito A. Possui uma série de trabalhos em arte visual, hoje disponíveis em alguns sítios na internet.
Na faculdade ele conheceu o baixista Tim Staffell. Tim tinha uma banda na faculdade chamada Smile, que tinha Brian May como guitarrista e Roger Taylor como baterista, e levou Freddie para participar dos ensaios.
Em abril de 1970, Tim deixa o grupo e Freddie acaba ficando como vocalista da banda que passa a se chamar Queen. Freddie decide mudar o seu nome para Mercury. Ainda em 1970 ele conheceu Mary Austin, com quem viveu por cinco anos.Foi com ela que assumiu sua orientação sexual (Freddie era bissexual),e os dois mantiveram forte amizade até o fim de sua vida.
No visual de Freddie ha uma mudança que nao deixa de ser notada,se na era Glam de 70 o cabelo cumprido,eyliner preto, unhas pintadas ,os «maillotes» de bailado e sapato de tacão alto eram moda,estes iriam dar lugar a uma postura mais «macho»:cabedal preto,chapeu de policia,cabelo curto e meses mais tarde bigode,esta seria a sua imagem de marca na premiscua decada de 80.
Mercury compôs muitos dos sucessos da banda, como "Bohemian Rhapsody", "Somebody to Love", "Love Of My Life" e "We Are the Champions"; hinos eloqüentes e de estruturação extraordinária, particulares e sempiternos.Suas exibições ao vivo eram lendarias,tornando-se imagem de marca da banda,o avontade com que freddie dominava as multidões e os seus improvisos vocais envolvendo o publico no show,tornaram as suas turnês num enorme sucesso,tanto na decada de 70 mas principalmente enchendo estadios de todo o mundo nos anos 80.
Lançou dois discos solo, aclamados pela crítica e público.Em 1991 surgiam rumores que Mercury estava com AIDS,que se confirmaram em uma declaração feita por si mesmo em 23 de novembro um dia antes de morrer,vindo a falecer na noite de 24 de novembro de 1991 em sua propria casa, chamada de Garden Lodge. Sua morte causou repercussão e tristeza em todo o mundo. A casa de Freddie Mercury, passada por testamento à sua ex-namorada, Mary Austin, recebeu muitos buquês de flores na época, e continua a receber até hoje.
O Corpo de Freddie Mercury foi cremado e por isso infelizmente não existe tumulo para que o seus fãs viessem para o homenagea-lo.
Em 25 de novembro de 1992 foi inaugurada uma estátua em sua homenagem, com a presença de Brian May, Roger Taylor, da cantora Montserrat Caballé, Jer e Bomi Bulsara (pais de Freddie) e Kashmira Bulsara (irmã de Freddie) em Montreux, na Suíça, cidade adotada por Freddie como seu segundo lar.
Os membros remanescentes dos Queen fundaram uma associação de caridade em seu nome, a "The Mercury Phoenix Trust", e organizaram em 20 de abril de 1992, no Wembley Stadium, o concerto beneficente "The Freddie Mercury Tribute Concert" para homenagear o trabalho e a vida de Freddie.
O cantor também foi conhecido pelo pseudônimo de Larry Lurex e pelo apelido Mr. Bad Guy.
Freddie Mercury era proprietário da voz, quem sabe, mais lírica - ou, se preferir, forte - de todos os tempos, chegando provavelmente a superar Elvis Presley e John Lennon. Contam alguns que, durante as gravações do álbum 'Barcelona'', Freddie desafiou Montserrat Caballé,a cantora lírica mais conhecida no mundo, para ver quem possuía maior fôlego. Mercury venceu com uma grande vantagem. Em 1992 dão-se os jogos Olímpicos de barcelona, ano depois da morte de FreddyMercury, nos quais Montserrat Caballé (cantora lírica Espanhola - Barcelona) intrepreta a famosa canção "Barcelona"gravada"1988 num dueto virtual com o cantor falecido dia 24 de Novembro de 1991 vitima de AIDS. Ainda hoje todos recordam o cantor e é recordado como um marco histórico para a História da música.




Pra gente, ainda sobra o que ele fez de bom.....

domingo, 23 de novembro de 2008

Melhor de três

Fazia muito tempo que eu não ia ao cinema três vezes seguidas e via três excelentes filmes. O primeiro foi o belíssimo Romance, do Guel Arraes, com Wagner Moura (lindo e sensual) e Letícia Sabatella; sempre adorei os filmes do Guel, desde O Auto da Compadecida a Lisbela e o Prisioneiro, mas este Romance é aquele tipo de filme que te faz sair do cinema com um baita sorriso no rosto, acreditando nas pessoas e no amor. A história é meio clichê, mas a a diferença aqui está na maneira como ela foi contada, o que fez toda a diferença.

Saí de Romance e, no mesmo dia, vi Os Estranhos - filme de terror que havia me aguçado já no trailler, completamente assustador - e o filme eleva esse terror à enésima potência. Também é uma história clichê, o que prova que, em se tratando de filmes e livros todas as boas histórias originais já foram contadas, o que pode-se fazer é contá-las de maneiras diferentes e criativas. Fazia tempo que não ficava preso na poltrona, tenso e morrendo de medo (nem a porcaria Jogos Mortais 5, está na hora de parar já, me deixou assim). O filmes não mostra quase nada, e mesmo assim é explicitamente violento e amedrontador. Veja acompanhado!

O que nos traz a mais grata surpresa dessa trinca. Vicky Cristina Barcelona, o novo filme do diretor Woody Allen. Scarlett Johansson (que faz o papel de Cristina) já é praticamente sua musa assumida (fez não somente “Ponto final”, mas também o sub-apreciado “Scoop - o grande furo” como protagonista) - ou seja, é possível compreender a facilidade com que o diretor explora seu potencial diante das câmeras. Mas como explicar a naturalidade com que Javier Bardem (completamente excitante e irresistível, muito diferente do psicopata de Onde os Francos Não Têm Vez) e Penélope Cruz costuram a história, com uma parte de sensualidade, uma de caricatura (ah, esses catalães esquentados…), uma parte de romance, e uma de humor. E ainda tem a (para mim) desconhecida Rebecca Hall, no papel de Vicky, a perfeita “moderna e reprimida” jovem americana! Impossível imaginar que Woddy tinha tudo isso no bolso, ou melhor, na sacola antes de começar a rodar “Vicky”…

Para quem ainda não assistiu - e sem tirar a graça de você que ainda quer ver - a história é simples: duas amigas americanas vão passar o verão em Barcelona. Vicky (a que aparentemente sabe o que quer) está prestes a se casar com “o homem perfeito”. Cristina (a que tem certeza apenas do que não quer) saiu de mais um fracasso amoroso e profissional. As duas encontram o artista plástico Juan Antonio (Bardem) que nos primeiros dois minutos de conversa declara sua intenção de levar as duas para a cama. Sem aceitar de primeira, as duas se aproximam dele, sabendo apenas que ele acaba de sair de um casamento tumultuado, depois que sua ex-mulher, Maria Elena, tentou matá-lo (preciso dizer quem faz o papel de Maria Elena?). Maria Elena, claro, reaparece a certa altura para ver o que se marido anda aprontando…

Imagine as possibilidades de sedução de uma história como essa - com um elenco como esse! Imaginou? Agora multiplique por dez. Como quem parece contagiado pela temperatura de um verão ibérico, Woody Allen desenrola entrelaces delirantes, como se, pelo menos por uma estação, o racional fosse suspenso e as pessoas se entregassem aos seus desejos. De uma maneira extremamente orgânica - nada ali, mesmo no ritmo de fantasia que predomina no filme parece que é forçado - os personagens vão descobrindo - ou melhor, vão convencendo uns aos outros, e ao mesmo tempo se convencendo - de que tudo pode, tudo é possível (a ponto de você se sentir desconfortável de assistir o filme ao lado de sua namorada ou seu namorado, ou marido, ou esposa, com quem você inevitavelmente se sentirá compelido a discutir seus desejos - ou não, reprimindo talvez uma relação que já não anda muito saudável…).

A facilidade com que eles aceitam isso é rapidamente absorvida por nós, meros espectadores, a ponto de a certa altura, sem que percebamos, já estarmos a ponto de aceitar todos os jogos amorosos e sensuais ali propostos sem nos preocuparmos em perguntar se não existe um preço a pagar por tudo isso…

Claro que existe - e quando ele é cobrado no filme, você já está tão envolvido com toda a trama que sua vontade é amaldiçoar o diretor por ter (mais uma vez) interferido como um “deus ex machina” no destino daquelas pessoas… (algo que Woody, como criador, faz com freqüência - e que já deixou até explícito, por exemplo, em “Poderosa Afrodite”, onde é a própria figura de um “deus ex machina” que decide que, no final, os dois personagens principais vão viver separados, cada um levando o filho do outro sem saber - um dos seus finais mais lindos de toda sua obra).
Depois do tobogã de possibilidades de relação que ele pinta em “Vicky Cristina Barcelona” - que inclui até um beijo sutilmente erótico entre duas das atrizes mais sensuais do cinema atual, Johansson e Cruz -, você se sente quase traído por ele ter dado uma solução tão corriqueira para todos os dilemas. Mas a vida é assim, não é? - parece que Woody pergunta a você, como uma provocação.

Momento: verde de passado!!!!

Mallu Magalhães e Marcelo Camelo assumem romance
A cantora esclareceu que não existe problema algum sobre a diferença de idade entre eles

Agora é pra valer. A cantora Mallu Magalhães assumiu o seu namoro com o também cantor Marcelo Camelo, na noite deste sábado, 22, durante uma apresentação no Morro da Urca, na Zona Sul do Rio. Quando questionada sobre a diferença de idade entre ela e o namorado, Mallu respondeu: “Não vejo problema nehum com essa história de idade. Isso existe?”, disse ela, que aos 16 anos vive um romance com um homem de 30 anos. Marcelo dividiu o palco com Mallu, que apresentou o cantor assim: “Gente, o Morro da Urca está entre as sete maravilhas do mundo, vamos votar. E por falar em maravilha, chamo agora Marcelo Camelo”. O dueto foi marcado pelas trocas de carinhos e até um beijo na nuca Mallu recebeu do namorado.

Na saída, o EGO flagrou o mais novo casal da música de mãos dadas e, no trajeto dentro do bondinho do Pão-de-Açúcar, os dois chegaram até a trocar um beijo muito rápido.

Mas a cantora, quando viu os jornalistas, pareceu assustada e segurou firme na mão do namorado. Sem saber o que falar, sorria enquanto passava as mãos pelos cabelos. No trajeto, parou para atender aos fãs e Marcelo saiu em disparada rumo ao carro que os aguardava. Completamente perdida, Mallu perguntou para um dos manobristas: “É aqui que eu entro, tem certeza?”. Os dois seguiram no mesmo carro para um restaurante onde iriam comemorar a apresentação da noite.

domingo, 16 de novembro de 2008

E como está a sua auto-estima?

1 - Não seja extremista, entre um sim e um não, um certo e um errado existem inúmeras possibilidades intermediárias;

2 - Veja a situação como um todo, tudo tem o seu lado positivo;

3 - Analise as probabilidades reais de um fato acontecer, em vez de ficar imaginando verdadeiras catástrofes no seu dia-a-dia;

4 - Cuidado com as generalizações. Não é porque seu amor foi embora desta vez que todo mundo vai fazer sempre a mesma coisa ou que ninguém, nunca mais, se interessará por você;

5 - Seja mais flexível consigo, erros ocorrem o tempo todo e fazem parte da vida;

6 - Pare de achar que tudo o que acontece é algo pessoal;

7 - Conteste seus pensamentos negativos com outros positivos sobre si mesmo;

8 - Faça uma tabela (no papel ou mental) e relacione: acontecimento, pensamentos negativos gerados por isso, sensações que você teve ao pensar dessa maneira, como você poderia responder a isso de forma mais amorosa e o que essa nova atitude provoca em você;

9 - Faça perguntas a si mesmo: será que eu realmente precisos er assim? Isso tem a ver comigo? Estou feliz com essa escolha?

10 - Se não tiver espaço para conversar abertamente coma s pessoas que o feriram no passado, escreva uma carta sincera e deixe todas as mágoas e ressentimentos virem à tona. Espere um ou dois dias para que seus sentimentos se acalmem e então queime a carta e reconcilie-se com você e com o passado.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

pluralidade

Mas tentamos tudo, eu digo, e ela diz que sim, claaaaaaa-ro, tentamos tudo, inclusive trepar, porque tantos livros emprestados, tantos filmes vistos juntos, tantos pontos de vista sociopolíticos existenciais e bláblábá em comum só podiam era dar mesmo nisso: cama. Realmente tenta­mos, mas foi uma bosta. Que foi que aconteceu, que foi meu deus que aconteceu, eu pensava depois acendendo um cigarro no outro e não queria lembrar, mas não me saía da cabeça o teu pau murcho e os bicos dos meus seios que nem sequer ficaram duros, pela primeira vez na vida, você disse, eu acreditei, pela primeira vez na vida, eu disse, e não sei se você acreditou. Eu quero dizer que sim, que acreditei, mas ela não pára, tanto tesão mental espiritual moral existencial e nenhum físico, eu não que­ria aceitar que fosse isso: éramos diferentes, éramos me­lhores, éramos superiores, éramos escolhidos, éramos mais, éramos vagamente sagrados, mas no final das con­tas os bicos dos meus peitos não endureceram e o teu pau não levantou. Cultura demais mata o corpo da gente, cara, filmes demais, livros demais, palavras demais, só consegui te possuir me masturbando, tinha a biblioteca de Alexandria separando nossos corpos, eu enfiava fun­do o dedo na buceta noite após noite e pedia mete fundo, coração, explode junto comigo, me fode, depois virava de bruços e chorava no travesseiro, naquele tempo ainda tinha culpa nojo vergonha, mas agora tudo bem, o Relatório Hite liberou a punheta. Não que fosse amor de menos, você dizia depois, ao contrário, era amor demais, você acreditava mesmo nisso? naquele bar infec­to onde costumávamos afogar nossas impotências em baldes de lirismo juvenil, imbecil, e eu disse não, meu bem, o que acontece é que como “bons-intelectuais-pequeno-burgueses” o teu negócio é homem e o meu é mulher, podíamos até formar um casal incrível, tipo aquela amante de Virgínia Woolf, como era mesmo o nome da fanchona? Vita, isso, Vita Sackville-West e o veado do marido dela, ora não se erice, queridinho, não tenho nada contra veados não, me passa a vodca, o quê? e eu lá tenho grana para comprar uísque? não, não tenho nada contra lésbicas, não tenho nada contra deca­dentes em geral, não tenho nada contra qualquer coisa que soe a: uma tentativa. Eu peço um cigarro e ela me atira o maço na cara como quem joga um tijolo, ando angustiada demais, meu amigo, palavrinha antiga essa, a velha angústia, saco, mas ando, ando, mais de duas décadas de convívio cotidiano, tenho uma coisa apertada aqui no meu peito, um sufoco, uma sede, um peso, ah não me venha com essas histórias de “atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais”, eu nunca tive porra de ideal nenhum, eu só queria era salvar a minha, veja só que coisa mais indivi­dualista elitista capitalista, eu só queria era ser feliz, cara, gorda, burra, alienada e completamente feliz. Podia ter dado certo entre a gente, ou não, eu nem sei o que é dar certo, mas naquele tempo você ainda não tinha se deci­dido a dar o rabo nem eu a lamber buceta, ai que graci­nha nossos livrinhos de Marx, depois Marcuse, depois Reich, depois Castaneda, depois Lang embaixo do braço, aqueles sonhos tolos colonizados nas cabecinhas idiotas.
Tinham um olhar dentro, de quem olha fixo e sacode a cabeça, acenando como se numa penetração entrassem fundo demais, concordando, refletidas. Olhavam fixo, pupilas perdidas na extensão amarelada das órbitas, e concordavam mudas. A sabedoria humilhante de quem percebe coisas apenas suspeitas pelos outros. Jamais saberíamos das conclusões a que chegavam, mas oblí­quos olhávamos em torno numa desconfiança que só findava com algum gesto ou palavra nem sempre opor­tunos. O fato é que tínhamos medo, ou quem sabe algu­ma espécie de respeito grande, de quem se vê menor frente a outros seres mais fortes e inexplicáveis. Medo por carência de outra palavra para melhor definir o sen­timento escorregadio na gente, de leve escapando para um canto da consciência de onde, ressabiado, espreita­ria. E enveredávamos então pelo caminho do fácil, ten­tando suavizar o que não era suave. Recusando-lhes o mistério, recusávamos o nosso próprio medo e as enca­rávamos rotulando-as sem problema como "irracionais", relegando-as ao mundo bruto a que deviam forçosamen­te pertencer. O mundo de dentro do qual não podiam atrever-se a desafiar-nos com o conhecimento de algo ignorado por nós. Pois orgulhos, não admitiríamos que vissem ou sentissem além de seus limites. Condicionadas a seus corpos atarracados, de penas cinzentas e três gar­ras quase ridículas na agressividade forçada ― condicio­nadas à sua precariedade, elas não poderiam ter mais do que lhe seria permitido por nós, humanos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esse é o Billy Paul........tô besta!


Billy Paul, nome artístico de Paul Williams (Filadélfia, 1 de dezembro de 1934) é um cantor estadunidense. Iniciou sua carreira com apenas 11 anos, se apresentando em shows de rádio. Realizou algumas gravações durante a década de 50, mas só despontou como vocalista de R&B na década de 70. A partir de então, trabalhou com nomes como Miles Davis, Charlie Parker e Roberta Flack. Seu primeiro sucesso veio com "Ebony Woman" - que já havia sido gravada anteriormente, em 1959, mas não tinha vingado -, no disco homônimo de 1970, que lhe rendeu um contrato com a gravadora Philadelphia International. Dois anos depois, emplacava o sucesso que virou sua marca, "Me & Mrs. Jones", no primeiro posto das paradas de R&B. A música fazia parte do LP 360 Degrees of Billy Paul, um disco que vendeu bem no Brasil durante toda a década de 70. Em 1973, "Thanks for Saving My Life", do álbum War of the Gods, repetiu o feito, com seu estilo elegante, porém arrebatado. O disco ao vivo Live in Europe (1974) revelava as inclinações jazzísticas cultivadas em meio ao baladismo de seu repertório. Vieram depois os álbums When Love is New, Got My Head on Straight, Let 'Em In, Only The Strong Survive? cuja faixa-título ficou como um clássico da disco music - e First Class. Após seis anos sem gravar, voltou com Lately (1985), que incluía "Sexual Therapy", claramente inspirada no clássico de Marvin Gaye, "Sexual Healing". Em 1989, depois de Wide Open, Billy Paul anunciou a aposentadoria e se limitou a realizar apresentações nostálgicas pelo mundo, incluindo o Brasil, onde esteve por várias oportunidades. Em 1996, saiu o CD Very Best Of e, em 2000, Live: World Tour.Nascido e criado na Philadelphia, Billy Paul nasceu Paul Willians e começou a cantar com apenas 11 anos nas rádios locais graças a um amigo, Bill Cosby. Seu vocal era exercitado e seu estilo tomava forma enquanto escutava os discos que tinha em casa, jóias de 78 rotações, de jazz, soul e pop. Sua mãe tinha uma senhora coleção de Nat King Cole e tratou de educar muito bem os ouvidos do garoto.Conforme crescia, o interesse por música o acompanhava e para melhorar seu conhecimento Billy foi estudar música na Escola de Música do Oeste da Philadelphia, e na Escola de Música de Granoff. Depois de finalizar os estudos, começou a fazer shows em clubes locais. Foi então, que adotou o nome de Billy Paul, porque já havia um Paul Willians na ativa, um dos vocalistas dos Temptations.Aconteceu que o rapazinho se tornou o fenômeno da Philadelphia, fazendo um grande sucesso no underground do jazz. Devido à sua fama, Billy passou a década de 50 e 60 dividindo o palco com figuras lendárias do jazz, soul e do pop. Ganhou reconhecimento internacional tocando com Dinah Washington, Nina Simone, Miles Davis, Roberta Flack, Sammy Davis Jr., Charlie Parker, além do grande John Coltrane.Só por essas parcerias pode-se dizer que ele foi um grande músico. Mas, o big-bang de Paul ainda estava por acontecer. Antes de cumprir o serviço militar, Billy Paul já fazia parte de um trio, com quem gravou o primeiro álbum, Why Am I, pela Jubilee Records. Quando voltou, começou carreira solo. Seu primeiro álbum solo foi Feelin' Good at the Cadillac Club, que teve repercussão boa, inclusive comercial, e marcou o início de sua parceria com os produtores e compositores Kenny Gamble and Leon Huff. Paul começou a gravar pelo selo Gamble Label. O segundo álbum foi lançado em 1959, Ebony Woman, que foi produzido pelo selo Neptune, o mesmo que relançou o álbum na década de 70.No começo da década de 70, Gamble e Huff fundaram o selo Philadelphia Internacional, e um dos primeiros artistas e serem lançados foi o amigo Billy Paul. O primeiro álbum de Paul com o novo selo foi Going East, e não foi tão bem sucedido. Em 1972, seu quarto trabalho, foi produzido para ser uma guinada na carreira de Billy e por isso foi chamado de 360 Degrees of Billy Paul. De fato a virada começou com o sucesso retumbante e mundial, que veio com o big bang hit, a balada, 'Me and Mrs. Jones', escrita a seis mães por Paul, Gamble e Huff. A música, que narra a história de um adultério, ficou no topo de todas as paradas de soul por semanas em dezembro de 1972.A polêmica em torno do tema da balada fez com que algumas rádios se recusassem a tocar música com tão imoral tema. Por outro lado, isso fez com que o disco vendesse mais do que qualquer outro no mesmo ano, quase cinco milhões de cópias.Billy Paul ganhou em 1972, o Grammy de Melhor Vocal Masculino em interpretação de soul, por 'Me and Mrs. Jones'. Em 1974, Billy tentou chocar novamente, desta vez, sem sucesso, com o seu disco seguinte, Am I Black Enough for You? (Sou negro o bastante para você?), nenhuma rádio quis tocar a música, e foi um fracasso total. No mesmo ano, ele retoma sua posição de hitmaker com mais um sucesso, quase uma ironia, 'Thanks for Saving My Life', a música ficou entre as dez mais tocadas da parada soul.Paul continuou a trabalhar e a gravar durante os anos 80, sem muita projeção. Pelo selo Total Experience, Billy lançou o álbum Lately em 1985. Em Londres, 1989, anunciou sua aposentadoria. Depois disso continuou fazendo turnês e apresentando-se em clubes. Em 2000, saiu o álbum ao vivo, Live World Tour.Em 2003, Billy Paul entrou numa disputa judicial com seus antigos amigos Gamble e Huff , pelos direitos da reprodução do sucesso, 'Me and Mrs. Jones'. Ganhou 500.000 dólares no processo, por royalties que não haviam sido pagos desde a época do lançamendo do hit. Seu mais recente disco lançado foi em 2005, Live, com uma coletânea dos seus sucessos da carreira.!
Obrigado Aninha, pela pesquisa!